Anúncio

Desinteresse de polícias acaba com Movimento Zero

Desinteresse de polícias acaba com Movimento Zero

Grupo inorgânico anunciou término da sua atividade. Justifica decisão com a falta de adesão da maioria dos militares da GNR e agentes da PSP às suas iniciativas.

O Movimento Zero, grupo inorgânico constituído por agentes da PSP e militares da GNR, anunciou o seu fim. Num comunicado tornado público no final da tarde desta sexta-feira, este movimento, que nunca teve líderes conhecidos e pugnava por melhores condições de trabalho para os polícias, justifica o término da sua atividade com a falta de adesão às formas de luta que, ao longo dos últimos três anos, foi propondo.

"Este movimento promoveu a oportunidade a todos de dizerem basta, de se erguerem e de lutarem. A culpa da ausência de mudança é de todos aqueles que esperam que as conquistas sejam alcançadas sentados no conforto do lar, na praia, no café, enquanto fazem mais um remunerado ou apenas arranjam uma desculpa esfarrapada para justificar a sua falta de comparência", criticam os mentores do Movimento Zero.

Os responsáveis do grupo destacam que os polícias não responderam no número esperado às "greves", "manifestações fardados" e "formas de luta inovadoras" promovidas, sobretudo, através das redes sociais.

No comunicado sustenta-se ainda que o fim do Movimento Zero é uma "derrota de todos", porque, lê-se, "lamentavelmente, uma grande maioria dos profissionais das forças de segurança continua a demonstrar ser conivente" com a forma como é tratada. "A entrega deste movimento não foi correspondida pelos profissionais da PSP e GNR, determinando, assim, o encerramento de toda a nossa atividade operacional/reivindicativa", conclui.

Negada ligação à extrema-direita

Apesar do fim agora anunciado, o Movimento Zero "não tem quaisquer dúvidas que, com os parcos recursos que teve disponíveis ao longo deste tempo e comparativamente com outras organizações altamente estruturadas, conseguiu alcançar feitos notáveis". E dá como exemplo o contributo dado para que a discussão das condições de trabalho dos polícias voltassem a estar na ordem do dia.

PUB

" Conseguimos que estes profissionais fossem dotados de algemas, coldres, bastões e cinturões, em alguns casos guardados há anos e anos em arrecadações dos respetivos Comandos/Destacamentos. Idealizámos e organizámos a maior manifestação de que há memória em Portugal, em 21 de novembro de 2019", acrescenta.

O Movimento Zero foi criado em 2019 e, ao longo do tempo, foi sendo conotado com a extrema-direita portuguesa e com o partido Chega. Sem nunca se identificarem, os promotores do movimento foram negando estas acusações, garantindo que a sua única preocupação era lutar pela aumento do salário na PSP e na GNR, assim como por mais equipamentos de proteção individual dos polícias e o aumento do efetivo das polícias em Portugal.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG