Recurso

Empresário chinês condenado por mais dois homicídios tentados

Empresário chinês condenado por mais dois homicídios tentados

Chenglong Li já está a cumprir pena máxima, 25 anos de prisão, por ter mandado incendiar prédio no Porto, para expulsar inquilinos e revender o imóvel. Uma pessoa morreu no fogo.

O Tribunal da Relação do Porto, na sequência de um recurso do Ministério Público, condenou o empresário chinês, Chenglong Li, a mais dois crimes de tentativa de homicídio (devido a uma primeira tentativa de incêndio falhada), além dos três de que já havia sido considerado culpado pelo Tribunal São João Novo. Os juízes também consideraram que o detentor de Visto Gold, que encomendou o incêndio de um prédio na rua Alexandre Braga, no Porto, era culpado do crime de branqueamento de capitais.

Apesar do aumento do número de crimes pelos quais foi considerado culpado, o Tribunal da Relação manteve a pena de 25 anos de prisão - a máxima permitida por lei - ao empresário. Chenglong Li, de 25 anos, fica, porém, obrigado, perante este novo acórdão, a pagar ao Estado português o valor do lucro que arrecadou com a venda do prédio que mandou queimar: 555 mil euros.

Chenglong Li comprou o imóvel, junto ao Mercado do Bolhão, em dezembro de 2016, por 645 mil euros, com o propósito de o remodelar e vender com uma larga margem de lucro. Conseguiu-o em novembro de 2018, quando o vendeu por 1,2 milhões de euros.

O negócio estipulava que o prédio tinha de ser entregue ao comprador até maio de 2019, "livre de pessoas e bens e de quaisquer ónus e encargos". Contudo, uma família a viver no terceiro andar fez valer o seu contrato de arrendamento e recusou abandonar o apartamento. Nem a oferta de 40 mil euros convenceu os inquilinos a deixar a sua casa.

Aflito para concretizar o negócio milionário, Chenglong Li decidiu atear fogo ao edifício e encomendou o crime a pessoas que o tribunal não conseguiu identificar. Em 2 de março de 2019, António Gonçalves, de 55 anos, morreu encurralado pelas chamas na sua própria casa.

Absolvida em primeira instância, a mulher do empresário chinês foi agora condenada pelo Tribunal da Relação. Considerada culpada pelo crime de branqueamento de capitais, ficou sujeita a uma pena de cinco anos de prisão, suspensa por igual período. A empresa criada por Chenglong Li para efetuar o negócio também terá de pagar uma multa de 20 mil euros.

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