Auxiliar está preso

Escola abafa suspeitas de abusos contra aluno

Escola abafa suspeitas de abusos contra aluno

Um auxiliar de ação educativa e formador de informática de uma escola básica de Cascais, atualmente a cumprir uma pena de seis anos de prisão por vários crimes de abusos, beneficiou da inércia da direção do estabelecimento de ensino que ocultou as primeiras suspeitas, em outubro de 2020. Após dois meses, o mesmo pedófilo acabaria por ser denunciado às autoridades por um colégio católico por crimes semelhantes, levando à sua detenção e condenação.

Ricardo Jorge, então com 18 anos, foi detido pela Polícia Judiciária de Lisboa em dezembro de 2020, logo após o Colégio Marista, situado em Carcavelos ter denunciado suspeitas de abusos contra alunos que tinham entre 7 e 11 anos. A investigação conseguiu apurar que em outubro de 2020, o mesmo auxiliar tinha trabalhado numa escola básica de Cascais.

De acordo com o "Observador", que avançou esta terça-feira a notícia citando um recente acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, a direção da escola ocultou as suspeitas. A direção ter-se-á limitado a afastar o suspeito de funções e aconselhou a família da vítima, numa reunião com responsáveis da escola e da junta, a não seguir com um processo-crime para não "destruir" a carreira do professor.

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No acórdão que manteve a pena ao arguido, os juízes desembargadores criticam a escola pública: "Não prestaram qualquer apoio às crianças, mesmo após a junta dizer que tinha um serviço psicoterapêutico gratuito", afirma o tribunal que garante que o próprio afastamento do arguido não se deveu ao estabelecimento de ensino mas sim "à pressão que foi realizada pela junta de freguesia com quem o arguido colaborava na área do ensino".

Ainda de acordo com o "Observador", os juízes sublinharam que este procedimento "contrastou de forma evidente com o procedimento que foi adotado pelo Colégio Marista", que denunciou as suspeitas às autoridades e suspendeu o auxiliar, além de prestar apoio aos alunos.

O jovem terá apalpado e manipulado a zona sexual de rapazes com idades compreendidas entre os sete e os 11 anos, durante e após o período escolar. Os abusos ocorreriam durante as aulas e no recreio e não existiria da parte do suspeito preocupação em escondê-los.

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