Investigação

Ex-adjunto de José Artur Neves é o terceiro arguido das golas antifumo

Ex-adjunto de José Artur Neves é o terceiro arguido das golas antifumo

Francisco Ferreira junta-se a José Artur Neves e Mourato Nunes, após as buscas do Ministério Público e da PJ.

O antigo adjunto do agora ex-secretário de Estado da Proteção Civil tornou-se no terceiro arguido no caso das golas antifumo. Francisco Ferreira, líder do PS de Arouca, foi quem indicou nomes de empresas à Proteção Civil para as aquisições feitas no âmbito do programa "Aldeia Segura, Pessoas Seguras".

O jovem, de 30 anos e padeiro de profissão, foi alvo de uma das oito buscas domiciliárias do Ministério Público e da Polícia Judiciária, na ultima quarta-feira. A operação abrangeu ainda outras 46 buscas não domiciliárias - como a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), várias empresas e diversos comandos distritais de operações de socorro (CDOS).

O nome de Francisco Ferreira junta-se assim ao de José Artur Neves, secretário de Estado da Proteção Civil, e Carlos Mourato Nunes, presidente da ANEPC, constituídos arguidos na quarta e quinta-feira, respetivamente. Com uma diferença: Neves demitiu-se logo no dia das buscas e Mourato mantém-se, com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a manifestar-lhe "confiança".

Francisco Ferreira demitiu-se na manhã de 30 de julho, após o JN adiantar que era o autor da escolha das empresas que vieram a ser contratadas pela Proteção Civil, em aquisições que chegaram aos dois milhões de euros e onde as relações políticas poderão ter sido determinantes.

Até chegar ao gabinete de José Artur Neves como "técnico especialista", em outubro de 2017, após a saída do anterior secretário de Estado Jorge Gomes, na senda dos graves incêndios, o dirigente socialista de Arouca era padeiro na pastelaria do irmão em Vila Nova de Gaia.

As aquisições da ANEPC feitas em 2018 estão sob suspeita do Departamento Central de Investigação e Ação Penal. Em causa estão indícios que apontam para a prática dos crimes de fraude na obtenção de subsídio, participação económica em negócio e corrupção.

Suspeitas de favor
O Ministério Público suspeita que a empresa Yubuy, contratada para fazer o envio de mensagens de alerta para um determinado universo de telemóveis, tenha sido uma das sugeridas pela Secretaria de Estado de Artur Neves à ANEPC.

Empresa contesta
Ao JN, Miguel Carvalho, o responsável pela empresa, que foi também alvo de buscas, afirmou que "ninguém da Yubuy foi constituído arguido" e que foram seguidas todas as regras da contratação pública. "Tendo a Judiciária recolhido todos os comprovativos que pretendiam, não encontraram nenhum indicio de atividade ilícita, falta de ética ou documentos em falta", assegurou o CEO.

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