
Eduardo de Castro chefia restaurante em São Paulo e conversou com falso CEO da Super Bock no Facebook
DR
Eduardo de Castro achava que estava a contactar pelo Facebook com Rui Lopes Ferreira, quando percebeu que tudo não passava de um esquema.
Eduardo de Castro, um chef e empresário de restauração português que está emigrado no Brasil, foi vítima de uma tentativa de burla por parte de uma pessoa que se fez passar por Rui Lopes Ferreira, CEO da Super Bock, no Facebook. Em causa está o pedido de uma transferência bancária no valor de 20 mil euros, feito em nome do responsável pela marca de cerveja portuguesa.
Por estar a passar por problemas com a distribuição de bebidas da Super Bock no Brasil, Eduardo de Castro, chef e proprietário do restaurante Casa do Chef, na cidade de São Paulo, tentou contactar Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group, através da rede social Facebook. "Um amigo meu disse-me que ele é uma pessoa extremamente acessível e de bom trato. Por isso, procurei o nome dele no Facebook. Escrevi-lhe, dizendo que não sabia se ia ser ele ou quem trata da sua assessoria a ler a mensagem. Mas queria que ele soubesse o que está a acontecer aqui, com a distribuição", recorda ao JN Eduardo de Castro, que é natural de Alfândega da Fé e está emigrado no Brasil há 11 anos.
Perfil convincente
À primeira vista, o empresário transmontano não desconfiou que pudesse tratar-se de um perfil de Facebook falso. Tinha fotografias de Rui Lopes Ferreira, imagens institucionais da Super Bock e ainda publicações relacionadas com eventos da marca. Numa análise sumária do perfil, este pareceu-lhe relativamente credível, mesmo que indicasse que o CEO da cervejeira tinha residência em Luanda, a capital de Angola.
"Passados dois dias, recebo a primeira resposta. E logo aí achei estranho o português utilizado na mensagem e também o facto de ele me tratar por confrade", conta Eduardo de Castro.
Chef alimentou conversa
As respostas do alegado responsável pela marca de cervejas eram ricas em detalhes sobre negócio em causa. Tinham pormenores sobre a parceria que estava a ser proposta ao empresário português, falavam sobre prazos de distribuição, volume de produtos, possibilidades de bónus, entre outros aspetos.
Mas Eduardo de Castro apercebeu-se rapidamente de que poderia estar a ser vítima de um esquema. E decidiu alimentar a conversa com o desconhecido que se fazia passar por Rui Lopes Ferreira, para perceber até onde é que a mesma iria.
Não tardou a descobrir. "Chega um dia, pede-me 20 mil euros, para enviar para Angola, de forma a que eu fosse o representante da Super Bock no Brasil. Depois, afinal também podiam ser só dez mil euros. Forneceu-me um NIB [número de identificação bancária], para transferir via Western Union. Confirmei logo que era golpe", explica Eduardo de Castro, que aceitou denunciar o caso por entender que "mais pessoas podem vir a ser vítimas".
O chef português garante que tentou, de imediato, avisar a marca sobre o sucedido, sem sucesso. Contactada pelo JN, fonte oficial da assessoria da Super Bock Group confirmou que o perfil em questão não pertence a Rui Lopes Ferreira.
