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Governo propõe subsídio de risco até 68 euros para polícias

Governo propõe subsídio de risco até 68 euros para polícias

O Governo apresentou esta quarta-feira uma proposta de subsídio de risco para as forças de segurança, numa reunião com os sindicatos da PSP e GNR, com valores entre os 48 e os 68 euros. Polícias, que esperavam valores superiores, afirmam que proposta é "ultrajante e vergonhosa".

Sindicatos e Governo já haviam reunido noutras ocasiões, mas até hoje ficou por saber qual o montante a atribuir à GNR e PSP.

Em abril, diversos sindicatos e associações profissionais das forças de segurança defenderam que o valor do subsídio de risco para as forças de segurança deveria rondar os 340 euros.

Esse valor serviria de base para as negociações com o Governo sobre a atribuição do subsídio de risco para as forças de segurança, que teria de estar concretizado até ao fim de junho, tal como está previsto no Orçamento do Estado deste ano.

No entanto, os valores apresentados hoje pelo Governo ficaram muito aquém do esperado pelos sindicatos. O Sindicato Nacional da Polícia já reagiu ao JN: "Perante a proposta apresentada pelo governo de 68,96 euros de suplemento de Risco para quem recebe o suplemento de patrulha, 58,96 para quem recebe o suplemento de comando e 48,96 euros para os restantes polícias, que se diga ainda serão sujeitos a impostos, o SINAPOL considera que a proposta do governo é ultrajante e vergonhosa, não reflete o justo valor que os profissionais da PSP merecem", lamentam os polícias.

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O sindicato considera ainda "inaceitável" que o Governo considere pagar esses montantes "quando sabe o SINAPOL que esse valor é muito inferior ao valor que é pago a outros profissionais de polícia em Portugal, nomeadamente 340 euros mensais aos colegas da Polícia Judiciária".

Por considerar o montante "altamente discriminativo e injusto", o SINAPOL "já comunicou formalmente que não fará ou assinará qualquer acordo coletivo com o valor apresentado e entregou aos representantes do Governo o pedido de Negociação Suplementar, previsto nos termos da Lei Sindical da PSP, para que tão breve quanto possível se inicie uma nova negociação, no sentido de ser apresentado um valor de Suplemento de Risco que reflita uma proposta séria e que vá ao encontro com os riscos inerentes à profissão policial, em igualdade de circunstâncias de outros colegas polícias que em Portugal já auferem um Suplemento de Risco".

Migalhas inaceitáveis

Também o Sindicato Independente dos Agentes da Polícia (SIAP) descrevem a proposta como "miserável, ultrajante e vergonhosa". "Uma proposta de trocos, migalhas, gorjeta. Estas são as únicas palavras que definem estes valores a acrescentar ao suplemento das forças de segurança", refere o SIAP.

Este sindicado revela que o Governo avançou, na reunião desta quarta-feira, com "promessas de uma reformulação dos suplementos e subsídios, que pode levar a uma melhoria dos ordenados". Contudo, para o SIAP tudo não passa de "jogos políticos para empatar e iludir" os polícias. Verificámos um total desprezo pelas forças de segurança", conclui.

Já o Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) garante que só não abandonou a reunião "por respeito aos sócios", uma vez que, defende, o Governo, ao apresentar um subsídio de risco a rondar os 70 de euros, "não merece a presença" no encontro. "Inaceitável" é a palavra escolhida pelo SPP para classificar a proposta do Ministério da Administração Interna. "O Governo não respeita os polícias que, durante 24 horas e sete dias por semana, executam a sua atividade em risco permanente", afirma.

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