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Grupos criminosos europeus estão cada vez mais violentos

Grupos criminosos europeus estão cada vez mais violentos

Relatório da Europol destaca contratação de assassinatos e raptos na Internet. SOCTA 2021 confirma crescimento sem precedentes do tráfico de droga na Europa e a aposta das redes criminosas na corrupção e em negócios legítimos para branquear lucros

As organizações criminosas europeias estão a recorrer, cada vez mais, à violência para aumentar os lucros, dominar territórios ou evitar denúncias. E são crescentes os episódios de raptos, assassinatos, tortura e mutilação. A constatação é feita pela Europol, na última edição do relatório de Avaliação das Ameaças Graves e do Crime Organizado, SOCTA 2021. O mesmo documento que mostra que o tráfico de droga continua a ser a principal atividade das redes criminosas, quase todas com negócios legítimos montados para lavar os lucros provenientes do crime.

Publicado nesta segunda-feira, o SOCTA 2021 revela que 80% dos grupos criminosos europeus estão envolvidos no tráfico de droga, fraudes, tráfico de seres humanos e imigração ilegal e que dispõem de empresas legais para cometer os crimes. 68% deles investem em propriedades ou noutros bens de elevado valor para branquear os lucros obtidos com o crime e 60% não hesitam em corromper autoridades públicas que lhes assegurem a continuidade da sua atividade.

Os mesmos 60% também recorrem frequentemente à violência. "Embora não estejam disponíveis números consolidados que quantifiquem o número de incidentes violentos, o nível de utilização da violência associada à criminalidade grave e organizada aumentou consideravelmente, tanto em termos de frequência como de gravidade, nos últimos quatro anos", destaca o SOCTA 2021.

Assassinatos encomendados na Internet

Este relatório, elaborado com informação de todas as autoridades europeias, explica que "a violência nos mercados ilícitos é frequentemente um sinal de concorrência crescente (por exemplo, sobre o controlo de redes de distribuição lucrativas ou de um determinado território geográfico)" ou da "alteração dos equilíbrios de poder dentro ou entre grupos de crime organizado concorrentes". A generalização da violência é tal que tornou-se frequente a contratação de ameaças e agressões ou raptos, torturas, mutilações e assassinatos através de "plataformas web obscuras e aplicações de comunicação encriptadas. "A prática de atos violentos está a tornar-se cada vez mais um negócio autónomo no ambiente criminoso" e visa, conclui a Europol, testemunhas de atos criminosos, polícias e agentes da justiça. Internamente, os alvos podem ser membros do grupo detidos (de forma a garantir o seu silêncio), que aceitaram falar com as autoridades ou que violaram as regras da organização.

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Tráfico sem precedentes de cocaína

Segundo o SOCTA 2021, muita da violência registada está relacionada com o tráfico de droga. "O comércio de drogas ilegais continua a dominar a criminalidade grave e organizada na União Europeia (UE) em termos do número de criminosos e redes criminosas envolvidas, bem como dos enormes lucros criminosos gerados como parte da produção, tráfico e distribuição de drogas ilegais. Quantidades sem precedentes de cocaína são traficadas para a UE a partir da América Latina, gerando lucros multi-bilionários para a diversa gama de criminosos envolvidos no comércio de cocaína, tanto na Europa como na América do Sul", sustenta o documento.

De igual forma, a canábis está presente em todos os países europeus, que também aumentaram consideravelmente a sua capacidade para produzir drogas sintéticas.

O relatório da Europol destaca, ainda, o crescimento do cibercrime, especialmente o que envolve o abuso sexual de crianças na Internet, do contrabando de tabaco, da imigração ilegal e da corrupção. Esta última é, inclusive, descrita como umas das ameaças mais preocupantes nos próximos anos.

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