Évora

Guarda prisional que matou PSP já esteve preso na cadeia de Évora

Guarda prisional que matou PSP já esteve preso na cadeia de Évora

O homem que atropelou mortalmente um agente da PSP depois de ter agredido a companheira, em Évora, já tinha sido condenado por condução sob o efeito do álcool. O suspeito é guarda prisional em Sintra.

Segundo apurou o JN, o indivíduo, detido durante a madrugada deste domingo, foi, há três anos, condenado a cerca de 50 fins de semana de prisão por conduzir embriagado. Apesar do indivíduo ter sido apontado por diversas fontes próximas do guarda prisional como tendo cumprido pena de cadeia por questões de violência doméstica, o JN verificou que a principal condenação era por crime de condução sob o efeito de álcool. No entanto, também existiam suspeitas de violência doméstica. Durante a semana, trabalhava como guarda em Sintra e aos fins de semana cumpria pena em Évora.

Como guarda prisional, José Fortuna Malengue teve problemas no Estabelecimento Prisional de Setúbal por consumo de álcool, tendo sido transferido para a cadeia de Sintra.

No sábado à noite, na zona do Rossio de S. Brás, em Évora, o suspeito atropelou mortalmente um agente da PSP que ajudava a companheira, que estava a ser agredida na via pública. "O agressor arrastou a mulher pelo chão e obrigou-a a entrar numa viatura. No local, encontrava-se um polícia da Polícia de Segurança Pública (PSP), fora de serviço, que presenciou as agressões. De imediato o polícia, em cumprimento da sua missão, interveio para fazer cessar o crime em curso", informou hoje a força de segurança, em comunicado, dando conta de que, ao tentar impedir a fuga do agressor, o agente foi atropelado pela viatura que o homem conduzia e arrastado cerca de 40 metros.

O agente, António Doce, 45 anos, do Comando Distrital de Évora, ainda foi transportado em estado grave para o hospital da cidade, mas acabou por morrer em consequência das lesões sofridas. O agressor conseguiu fugir, mas acabou por ser intercetado por guardas da GNR, na zona de Alcabideche, e o carro foi apreendido.

Por se tratar de um homicídio, o caso passou agora para a alçada da Polícia Judiciária, que o está a interrogar, na cidade alentejana. Vai ser presente a um juiz na segunda-feira, revelou fonte policial.

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"Intencionalmente e covardemente atropelado"

"Foi com profunda consternação que o Presidente da República tomou conhecimento da morte do agente", que, "mesmo não estando em serviço, deu a vida pelo próximo", reagiu Marcelo Rebelo de Sousa, em nota publicada no site da Presidência. O chefe de Estado "já falou pessoalmente com a viúva do agente, dirigindo as mais sentidas condolências também aos seus filhos, familiares e amigos, assim como à Polícia de Segurança Pública".

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, também manifestou, em comunicado, "profundo pesar pela morte do agente", endereçando "as mais sentidas condolências aos familiares, amigos e a todos os polícias da PSP que diariamente cumprem de forma abnegada a sua missão".

Numa mensagem publicada no Facebook, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) lamentou o sucedido, notando que a "PSP está de luto por mais este trágico acontecimento". Também pela mesma via, o Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) lamentou que o agente, casado e com dois filhos, tenha sido "intencionalmente e covardemente atropelado". "Mais um colega assassinado, mais uma vida sem valor. Apresentamos, neste momento de Dor as nossas condolências à família, amigos e colegas", acrescenta.

A PSP "contactou os familiares e disponibilizou-lhes todo o apoio, nomeadamente psicológico", apresentando as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e a toda a "família policial". "A PSP enaltece a ação do Polícia que, honrando a condição policial, levou até às últimas consequências o seu juramento de 'dar a vida, se preciso for', na permanente defesa e proteção dos nossos concidadãos", remata o comunicado.

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