Covid-19

Guardas prisionais anunciam greve no dia em que acrílicos regressam à sala de visitas

Guardas prisionais anunciam greve no dia em que acrílicos regressam à sala de visitas

Para combater propagação da covid-19 nas cadeias também as visitas íntimas foram suspensas e volta a ser obrigatório um período de quarentena para presos que passem pelo hospital. Guardas prisionais exigem mais meios e recursos humanos

As visitas íntimas nas cadeias estão suspensas, regressam os acrílicos que separam reclusos das visitas, os presos que trabalham nas cozinhas e na limpeza vão ser alvo de rastreio e os que passarem pelo hospital têm de cumprir um período de quarentena. Estas medidas para combater a propagação da covid-19 nos estabelecimentos prisionais foram reveladas pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), durante um plenário que está a decorrer, nesta quinta-feira, na prisão de Custóias, em Matosinhos. Os sindicalistas anunciaram também uma greve para os períodos entre 20 e 26 de dezembro e entre 30 de dezembro e 5 de janeiro.

Na passada terça-feira, havia 68 reclusos e 21 trabalhadores da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) infetados com o coronavírus. Números alarmantes para o SNCGP que, com o intuito de debater os problemas relacionados com os surtos de contágio existentes nalgumas cadeias, marcou para esta quinta-feira um plenário na prisão de Custóias.

Em antecipação, a DGRSP emitiu, ao final da tarde de terça-feira, um documento a fazer regressar algumas das medidas que vigoraram nos estabelecimentos prisionais durante as primeiras vagas da pandemia. Nomeadamente, a reposição de acrílicos nas salas de visitas, a suspensão das visitas íntimas aos reclusos e a obrigatoriedade de um período de quarentena para os presos que forem ao hospital. Neste momento, os presidiários que trabalhem nas cozinhas e na limpeza das cadeias também estão a ser sujeitos a testes de despistagem da covid-19.

Os guardas prisionais elogiam esta decisão, mas exigem mais medidas. "Não temos meios para verificar se o certificado de vacinação que as visitas têm de apresentar à entrada é válido. Devia ser obrigatório a apresentação de um teste negativo", refere o delegado sindical Tiago Pinto. O mesmo responsável defende que a Unidade Covid criada em Custóias, e que atualmente acolhe 17 presos, deixe de receber presos de outras cadeias. "Cada estabelecimento prisional devia tratar dos seus casos. Não temos condições em Custóias para receber estes reclusos", alega.

Greve no Natal e Ano Novo

O plenário na cadeia de Custóias reunia, na manhã desta quinta-feira, cerca de 50 dos 160 guardas que ali trabalham e esteve na origem do cancelamento das visitas marcadas para este dia. "Estamos a realizar plenários em várias cadeias, porque cada uma tem os seus problemas", explica o presidente do SNCGP.

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Carlos Sousa acrescenta que, ainda no âmbito da covid-19, os guardas prisionais pediram explicações à DGRSP relativamente ao valor do subsídio de risco extraordinário pago a dezenas de guardas prisionais que trabalharam diretamente com reclusos infetados. "A lei diz que deve ser pago 10% do salário por este subsídio de risco extraordinário. Mas todos os guardas prisionais de Custóias receberam, no total, entre 2,80 e pouco mais de três euros por vários dias de trabalho. Deve ter havido um erro de cálculo", frisa.

Durante o plenário foi exigido, ainda, o aumento do quadro de profissionais nesta cadeia do Norte. "Há anos que não há um reforço do número de guardas prisionais. Nem quando vieram para cá reclusos infetados de outras prisões isso aconteceu. São precisos, pelo menos, mais 20 elementos", sustenta Tiago Pinto.

Devido às dificuldades sinalizadas, o SNCGP formalizou um pré-aviso de greve. O período de contestação irá acontecer em períodos que abrangem as festividades de Natal e de Ano Novo. "As visitas serão afetadas, mas os serviços mínimos garantirão uma visita semanal a cada recluso", assume Tiago Pinto.

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