Vieira do Minho

Homem pegou fogo à casa dos pais para "queimar desgosto amoroso"

Homem pegou fogo à casa dos pais para "queimar desgosto amoroso"

Um homem acusado de pegar fogo à sua casa enquanto os pais dormiam, em Vieira do Minho, alegou, esta quinta-feira, que apenas queria queimar o seu quarto, para apagar recordações de um desgosto amoroso.

No início do julgamento, que decorre no Tribunal de Braga, o arguido, de 31 anos, alegou ainda que na altura dos factos estava descompensado, por não tomar a medicação para a esquizofrenia de que padece e por ter passado a noite a consumir álcool e droga. "Só queria queimar o meu quarto, para apagar recordações de um desgosto de amor. Nunca pensei que as chamas iam alastrar ao resto da casa", referiu.

Os factos remontam à madrugada de 14 de setembro de 2021, na freguesia de Anissó, Vieira do Minho.

Segundo a acusação, o arguido estava convencido de que a mãe punha veneno na comida que lhe servia e decidiu pôr fogo à casa dos pais, numa altura em que estes dormiam. Foi buscar um bidão com combustível, produto que espalhou pelo 1.º andar da casa, ateando fogo um fósforo.

"Convencido de que o fogo se manteria aceso e que alastraria a toda a habitação, podendo assim também queimar vivos os seus pais, o arguido fugiu em corrida da casa, sem avisar os seus pais, vizinhos ou bombeiros e escondeu-se nos montes", acrescenta a acusação.

A mãe apercebeu-se do fogo e conseguiu fugir a tempo, tendo-se queimado na zona do pescoço e costas. O pai, que tinha problemas de locomoção, também escapou ileso, tendo saído de casa com ajuda de um vizinho. O incêndio propagou-se rapidamente a toda a casa, destruindo por completo as divisões no 1.º andar e provocando a queda de praticamente todo o telhado.

O arguido manteve-se "escondido" durante esse dia, até que, por volta das 15 horas, foi localizado pela GNR. Está detido numa comunidade terapêutica, com vigilância eletrónica.

PUB

Na altura da detenção, em declarações ao juiz de instrução criminal, o arguido disse que pegou fogo à casa para "assustar" a mãe, para que ela deixasse de colocar veneno na comida. Hoje, alegou que na altura "não estava bem" e confundiu "as coisas".

O arguido está acusado de dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada e de um crime de incêndio. O Ministério Público requereu que o arguido seja declarado inimputável perigoso, em razão de anomalia psíquica de que padece, e que seja condenado a medida de segurança de internamento em estabelecimento de tratamento e segurança adequado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG