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Na primeira burla que lhe é conhecida, simulou sofrer de um cancro para promover peditórios e campanhas, em diversas freguesias do concelho de Paredes, onde reside, em Gandra.
O caso foi denunciado no início de 2011 pelo padre de Baltar, durante a missa, e deixou a população chocada. Mas nem isso fez parar Sandra Eugénia Silva que, desde então, foi condenada seis vezes, por crimes de furto, falsificação de documentos, falsificação de boletins e burla. Contudo, entre multas e penas de prisão suspensas, nunca passou um dia atrás das grades.
Agora, enfrenta mais dois processos judiciais por usar documentos de identificação de pessoas suas conhecidas para realizar contratos com empresas de telecomunicações, de venda de produtos de beleza e domésticos e de concessão de crédito. Contratos que nunca pagou e cujas faturas chegaram, de surpresa, às casas dos burlados.
Foi o que aconteceu com Ana Ribeiro, a quem a burlona garantiu trabalho como empregada doméstica e pediu cópia do cartão de cidadão, bem como de um comprovativo de morada. Porém, em vez de usar a informação para elaborar o contrato de trabalho prometido, Sandra Eugénia Silva preencheu, com o nome da amiga, uma ficha de inscrição de demonstradora da Tupperware, empresa de recipientes de plástico, e fez duas encomendas, no valor de 160 e 270 euros. O mesmo aconteceu com contratos, sempre realizados por Sandra Eugénia Silva, com a EDP, mas as faturas nunca foram pagas e Ana Ribeiro acabou por ser alvo de penhoras.
No caso de Vera Lúcia, que se viu envolvida no mesmo esquema, as dívidas eram, para além da Tupperware, com a Yves Rocher.
Estas burlas estão a ser julgadas no Tribunal de Valongo, onde Sandra Eugénia Silva responde pelos crimes de falsificação de assinatura e de burla.
Fugiu sem pagar combustível
Os crimes de burla, assim como de falsificação de documento, já tinham levado Sandra Eugénia Silva a ser condenada a uma pena de dois anos de prisão, suspensa pelo mesmo período, no Tribunal de Paredes. Também neste julgamento, a burlona foi considerada culpada de prometer trabalho a amigos apenas para ter acesso aos seus dados de identificação e, posteriormente, usá-los em contratos com a Avon e a Zon.
A mulher entregou, ainda, um dos cartões de cidadão numas bombas de gasolina, como prova de boa-fé e de que regressaria para pagar o combustível com que tinha abastecido o carro. No entanto, nunca mais liquidou a dívida.
No registo criminal consultado pelo JN, Sandra Eugénia Silva conta com seis condenações entre 2015 e 2017. Três delas resultaram em multas entre 250 e 1210 euros e as restantes em penas de prisão entre os cinco meses e os dois anos. Todas suspensas.
PROCESSO NA FEIRA
Sandra Silva enfrenta também um inquérito judicial no Tribunal da Feira. A vítima foi Célia Martins, mediadora de seguros que, em 2015, viu a sua carteira, com os documentos de identificação, ser furtada, num café.
Meio ano depois, a empresária tentou negociar um crédito para investir no negócio, mas o banco recusou, alegando que teria dívidas. Apanhada de surpresa, ficou ainda mais estupefacta quando, pouco depois, começou a receber injunções devido ao não-pagamento de contratos com a Avon, Yves Rocher, Cetelem, Nos, Meo, EDP, Vodafone e Galp.
"Até havia um contrato com um cartão do Jumbo. Alguns foram realizados já depois de eu anular os cartões de cidadão e de contribuinte", refere ao JN Célia Martins, que fala em dívidas superiores a quatro mil euros.
A vítima explica que chegou a Sandra Silva através da fatura do telefone. "O número do marido era o mais frequente da lista. Liguei e a própria Sandra arranjou uma desculpa para justificar o que era injustificável", diz.
Célia Martins revela igualmente que, desde que denunciou a burla à justiça, foi ameaçada de morte e teve a sua fotografia num perfil falso nas redes sociais.
Pormenores
Não paga multa e pena é suspensa - Em 2015, a mulher de Gandra foi condenada a uma multa de 1050 euros pelo crime de falsificação de documentos. Não pagou e a pena foi substituída por 116 dias de prisão, suspensos por um período de um ano.
Paga 300 euros a vítima - A execução da última sentença - cinco meses de prisão - por burla foi suspensa mediante pagamento de 300 euros à vítima.
Seis filhos e desempregada - A burlona tem seis filhos, o mais novo com dez meses e o mais velho com 12 anos. No último relatório social entregue à justiça, os técnicos salientam que Sandra Silva tem "alternado períodos de atividade com desocupação". Situação que, alegam, "não parece ser alheia a uma postura de vulnerável consistência pessoal".
