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Crianças traficadas para fraudes com subsídios

Crianças traficadas para fraudes com subsídios

Chegaram ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, como pai e filha. Vindos num voo proveniente do Gana, tinham como destino final a Alemanha, país onde o homem residia há mais tempo do que a idade da criança.

O pormenor levantou dúvidas aos inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), mas os dois imigrantes garantiam - e os documentos assim mostravam - que eram uma família unida, que procurava nova vida em comum na Europa. Quando a pressão dos inspetores se intensificou, a menina passou a ser enteada do traficante de pessoas e depois transformou-se em filha de uma amiga. No final, ambos acabaram por confessar que não se conheciam antes de entrar no avião e que pretendiam somente chegar à Alemanha, onde a menor seria entregue a uma família de imigrantes ganeses.

Este foi um dos casos sinalizados pelo SEF, órgão de polícia criminal que acredita que a criança seria sujeita a um processo de adoção ilegal e utilizada na obtenção de subsídios atribuídos pelo Estado alemão. Uma prática recorrente, que leva a que redes internacionais recrutem menores em países da África subsariana e da Ásia para os explorar, sobretudo, nos países mais ricos da Europa.