
O antigo diretor do Centro de Formação da GNR, em Portalegre, exonerado na sequência de agressões a formando, foi nomeado para funções de direção na formação da Guarda.
O antigo diretor do Centro de Formação da GNR em Portalegre, coronel Mário Ramos, que foi exonerado a 4 de dezembro passado, na sequência das agressões por instrutores a mais de 10 formandos do 40.º curso, durante um exercício conhecido como "Red Man", foi nomeado "diretor da Direção de Formação, do Comando da Doutrina e Formação", com responsabilidades sobre a Escola de Queluz, o Centro de Formação da Figueira da Foz e também do Centro de Formação de Portalegre.
De acordo com um documento a que o JN teve acesso, a ordem foi assinada pelo comandante geral da GNR, Luís Francisco Botelho Miguel. Mário Ramos assumiu novas funções a 21 de dezembro, ou seja, cerca de duas semanas após ter sido exonerado pelo Governo.
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A 2 de dezembro, o JN denunciou em primeira mão a violência sobre guardas provisórios do 40.0 curso, durante o módulo "curso de bastão extensível", que durou entre 1 de outubro e 9 de novembro. Os guardas provisórios queixaram-se, entre outras, de violentas agressões com pontapés na cara e socos no nariz, parte das quais foram, aliás, registadas em vídeo. Alguns tiveram de ser assistidos e operados.
Ministro exonerou
Dois dias após a divulgação da notícia, o ministro da Administração Interna mandou instaurar um inquérito por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna e a Procuradoria-Geral da República ordenou a abertura de outro, mas criminal. Na mesma altura, Eduardo Cabrita aceitou o pedido de exoneração do então diretor do Centro de Formação da GNR em Portalegre, coronel Mário Ramos. Na justificação, o governante afirmou não ser admissível "a demora na facultação de factos relevantes".
O JN tentou obter uma reação do ministro sobre a nomeação, bem como do Comando Geral da GNR. Apenas este último explicou, oficialmente, que Mário Ramos "foi transferido para a Direção de Formação, estrutura que funciona na dependência do Comando da Doutrina e Formação (CDF), cujo comandante é um oficial general", informando ainda que o coronel em causa "não é responsável pela formação da GNR, nem a si lhe compete definir ou implementar procedimentos". "É, antes, responsável por um órgão que presta assessoria ao comandante do CDF, competindo a este último a tomada de decisão", acrescentou ainda aquela organização.
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Para o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG-GNR), César Nogueira, a nomeação do coronel Mário Ramos para responsável da Doutrina e Formação da GNR não é pacífica. "Esse senhor foi exonerado devido à situação do "Red Man". Ao ser exonerado não foi penalizado. Pelo contrário. Foi favorecido. Vai orientar também a parte da formação das escolas da Guarda. Se é essa a consequência do processo de averiguações é no mínimo caricato. São dois pesos e duas medidas".
PCP questionou Cabrita
Na terça-feira passada, foi o deputado comunista Jorge Machado a questionar o ministro da Administração Interna sobre a nomeação do coronel Mário Ramos para diretor da Direção de Formação, do Comando da Doutrina e Formação. Na mesma altura, o PCP perguntou também ao ministro sobre se o inquérito levado a cabo pela Inspeção-Geral da Administração Interna já estaria concluído. Até ontem não tinha obtido qualquer resposta.
