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Novos sistemas de acesso ilegítimos a canais de assinatura estão a inundar o mercado. Smart TV vieram facilitar acesso clandestino.
Anúncios de venda de novos sistemas de TV pirata estão a inundar as redes sociais (Facebook) e a Internet e oferecem, por sete euros por mês, mais de cinco mil canais que nas operadoras oficiais custariam cerca de 80 euros. Trata-se de sistemas ilegais de IPTV que usam apenas a Internet para transmitir um sinal de televisão pago. Estima-se que, ao longo de 2019, 300 mil lares estarão equipados com os diversos sistemas de TV pirata.
Há dezenas de sítios e aplicações publicitadas quer nas redes sociais, quer na Internet, que oferecem serviços de canais de cabo nacionais e internacionais. São os chamados sistemas de IPTV, um método de transmissão de sinais televisivos através da Internet.
"São publicitados através da Net, sítios alguns deles perfeitamente legais, e das redes sociais. O problema que se coloca atualmente é a dificuldade que o consumidor tem em identificar se se trata de serviço legal ou não", adianta ao JN Paulo Santos, diretor-geral da Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais.
Estes sistemas, mais recentes, que provocam milhões de euros de prejuízos anuais às operadoras de TV por cabo, já estão a ultrapassar os "tradicionais" esquemas de "cardsharing", que se traduz na partilha de cartões legais de acesso a televisão paga, por meios informáticos, com diversos utilizadores de boxes adulteradas para o efeito.
Servidor no estrangeiro
Hoje em dia, a Internet veio revolucionar a pirataria de televisão. Tal como nos tradicionais "cardsharing", os piratas têm de comprar um ou mais pacotes completos a uma operadora. Têm de possuir todos os canais que os clientes irão desejar e que são, normalmente, os mais caros e apetecíveis. São os canais de desporto como a Sport TV, a Eleven Sports (que tem os jogos da Liga dos Campeões), a Benfica TV e ainda os canais "premium" de séries e filmes.
Depois, através de computadores, os piratas conseguem ampliar o sinal que segue para um potente servidor - em regra, instalado em países estrangeiros, menos escrupulosos nas questões de direitos de autores. Através do servidor, o sinal é multiplicado à exaustão para ser distribuído pelos clientes, que passam a ter duas formas de receber as "preciosas" imagens de IPTV.
Caso tenha uma smart TV (televisão que está diretamente ligada à Internet), o cliente instala uma aplicação informática (app) ou vai a um sítio na Internet com acesso codificado pelo pirata. O cliente só irá obter um código e obter acesso depois de pagar o valor acordado com aquele comerciante clandestino de canais de TV.
Caso o cliente não tenha uma smart TV, é obrigado a adquirir uma box de IPTV, de venda perfeitamente legal, mas que é alterada pelos piratas para ficar ligada aos servidores fraudulentos.
Método de atuação pirata
"Quem faz o upload de streaming IPTV é normalmente assinante de serviços legais em vários operadores nacionais e/ou internacionais, e disponibiliza estes conteúdos de forma ilegal a partir de vários sítios em simultâneo, de modo a que, se um dos locais sofrer um apagão, poder emitir de outro local imediatamente", explica Paulo Santos, que revelou ainda estimar-se em 300 mil os lares portugueses que, em 2019, estarão equipados com sistemas piratas de captação de sinal de TV paga.
Números
22 mil lares estavam equipados com boxes ilegais há cerca de dois anos, em Portugal. Hoje em dia, estima a Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais que essa realidade poderá situar-se nos 300 mil.
600 mil euros é o valor mensal estimado pelas operadoras para os prejuízos causados pela fuga ao controlo e pagamento, através do uso de boxes ilegais em Portugal.
