Julgamento

Jesus tratou a procuradora por "você". Porque é que não deve fazê-lo?

Jesus tratou a procuradora por "você". Porque é que não deve fazê-lo?

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, gerou algum sobressalto no tribunal quando, na qualidade de testemunha do processo Football Leaks, tratou a procuradora do Ministério Público por "você". António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, diz que as formalidades servem para conferir "serenidade" aos julgamentos.

Jesus esteve esta terça-feira a depor no Tribunal Central Criminal de Lisboa, tendo-se dirigido, a dada altura, à procuradora usando a palavra "você". O coletivo de juízes advertiu o técnico, dizendo-lhe que a forma certa era "senhora procuradora".

"O tribunal pauta-se por alguma formalidade, que permite que os julgamentos decorram com maior serenidade", afirma António Ventinhas ao JN. Segundo o sindicalista, o facto de haver um protocolo a cumprir - como a forma de tratamento ou o uso das becas por cima da roupa civil - ajuda a "controlar alguma animosidade" que possa existir.

Ventinhas sublinha que as formas corretas como os procuradores do Ministério Público devem ser tratados são "senhor(a) doutor(a)" ou "senhor(a) procurador(a)"; no caso dos juízes, utiliza-se o "senhor(a) juiz(a)" ou "meritíssimo/a".

Evitar o "tu-cá-tu-lá"

Por não ter presenciado o momento, António Ventinhas não quis avaliar se o coletivo de juízes procedeu bem ao avisar Jorge Jesus. No entanto, refere que essa advertência pode surgir caso os magistrados entendam que algum dos seus interlocutores está a colocar o julgamento "ao nível do 'tu-cá-tu-lá'".

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"Às vezes não é só dizer o você, é a forma como é dito", prossegue António Ventinhas. Por vezes, os juízes podem não corrigir o interlocutor, caso entendam que a forma errada de tratamento não foi usada por desrespeito, mas sim por ignorância.

No entanto, caso os magistrados deixem a situação "resvalar", no limite até algum elemento do público pode sentir-se tentado a intervir - como por vezes acontece, assinala o sindicalista.

Jorge Jesus revelou alguma impaciência para com as perguntas do Ministério Público. Numa outra ocasião, após a procuradora ter insistido numa pergunta, o treinador - que considerava já ter dado uma resposta satisfatória - atirou: "Falo português, ou não?".

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