
A PSP esteve no local, identificou os dois alegados agressores, mas ninguém foi detido
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Alegados seguranças dizem que são "apenas clientes". Pais desafiam o Medusa a mostrar as imagens de videovigilância.
Duas jovens, de 17 e 19 anos, foram agredidas, na madrugada de quinta-feira na discoteca Medusa, na Póvoa de Varzim. Acusam os seguranças da discoteca de lhes terem batido "sem motivo nenhum". Uma sofreu ferimentos na cabeça e na cara, a outra na cara e nos joelhos. A PSP esteve no local, identificou os dois alegados agressores, mas ninguém foi detido. Dizem que são "apenas clientes". O pai de uma das jovens garante que não vai desistir "até que se faça justiça" e desafia o Medusa a mostrar as imagens da videovigilância.
"São duas adolescentes! Nada justifica esta violência. Tudo indica que serão seguranças que não estão habilitados para exercer funções. Estas pessoas têm que ser punidas. Hoje foi a minha filha, amanhã pode ser a filha de outro", afirmou, ao JN, Manuel Pereira. O pai de Margarida, de 17 anos, está "revoltado" e não se conforma. As duas amigas - Margarida e Inês, de 19 anos - foram à discoteca. Às 4 horas, já prestes a sair, Margarida deu por falta do telemóvel e, já no meio das buscas, Inês envolveu-se numa discussão com dois seguranças. A amiga, estudante de Direito, acabaria por se meter no meio: "Disse-lhes que eles não podiam atuar daquela maneira", conta Manuel Pereira. Acabaram as duas agredidas a soco e pontapé e Margarida foi arrastada pelo chão desde a receção até à rua.
As duas jovens acabaram transportadas ao hospital pelos Bombeiros da Póvoa e a PSP foi chamada ao local pelos pais de Inês, entretanto alertados pela filha.
Em comunicado publicado no Instagram, a gerência da discoteca diz que as duas jovens "se ofenderam entre si, tendo ainda ofendido os seguranças". Ainda assim, garantem, os profissionais "mantiveram sempre a calma" e "nenhum segurança da discoteca agrediu as jovens no interior ou no exterior da mesma". Os dois alegados agressores - identificados pela PSP - serão, dizem, "apenas clientes".
Manuel Pereira insiste: "É mentira! Elas são muito amigas. Se, como eles dizem, elas estavam a causar distúrbios, porque não chamaram a polícia?". O pai de Margarida diz que "a violência que se vive, atualmente, na noite é inacreditável", exige que se apure a verdade e se puna "quem anda a exercer sem licença e formação para tal". Promete levar o caso a tribunal "pela filha e pelas filhas de outros".
