Trofa

Jovens que acusam GNR de agressão dizem-se alvo de "discriminação"

Jovens que acusam GNR de agressão dizem-se alvo de "discriminação"

Os três jovens que alegam ter sido agredidos por militares do Destacamento de Intervenção (DI) da GNR no festival Belive, na Trofa, na madrugada de domingo, dizem-se alvo de "discriminação".

"O meu filho foi chamado de "bairrista" por causa do aspeto. Foi discriminação aquilo que houve", disse ao JN a mãe, Mónica Bernardo, na manhã desta segunda-feira, enquanto aguardava que o jovem fosse ouvido no Tribunal de Santo Tirso.

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O rapaz de 17 anos, que estava hospitalizado devido a um coágulo detetado na cabeça, na sequência das agressões, teve alta ao início da madrugada desta segunda-feira. Ao JN, garantiu que o grupo "não estava a fazer nada de mal" aquando da detenção. "Fomos super educados. Não faltamos ao respeito", assegurou Gustavo Pinho. "Eles [GNR] não tinham motivos para nos deterem", reforçou o amigo Alexandre Samagaio, que também foi detido e ostenta, tal como os amigos, marcas visíveis de agressões pelo corpo.

João Martins, que disse ter ido em "socorro" de Alexandre, o primeiro a ser detido, relatou que teve "um bate-boca com um agente, e disse-lhe que [a detenção e agressão] era cobardia e que só o faziam por terem uma farda". Contou ainda que acabou por "fugir com medo" e que, durante a fuga, o militar que o seguiu "puxou a culatra da arma atrás e disse para parar, se não ia descalço".

O grupo de amigos admitiu que todos "tinham bebido", e referiu que estavam no recinto do festival "em brincadeiras" entre eles, mas a versão da GNR não coincide. De acordo com fonte oficial da Guarda, o grupo, inicialmente composto por cerca de meia dúzia de indivíduos, foi abordado, pelas três horas, por militares do posto da Trofa, no sentido de abandonar o recinto do festival, "por estar a provocar distúrbios" devido a "altercações" entre os amigos.

Os jovens acataram a ordem, mas, por volta das 4.30 horas, elementos do Destacamento de Intervenção verificaram que os "distúrbios com o mesmo grupo de pessoas" continuavam junto ao recinto, pelo que abordaram os indivíduos. Alguns cumpriram a ordem de dispersão, mas os três jovens que acabaram detidos "voltaram-se contra os guardas", disse a mesma fonte, referindo que "houve injúrias, ameaças e agressões aos militares", verificando-se ainda "resistência à detenção". A GNR não confirmou qualquer utilização de arma de fogo.

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