Prisão preventiva

Mãe que deitou bebé no lixo isolada das outras reclusas

Mãe que deitou bebé no lixo isolada das outras reclusas

A mulher de 22 anos presa preventivamente por ter abandonado o filho recém-nascido num ecoponto em Lisboa encontra-se separada das restantes reclusas e está, para já, a ser alvo de cuidados redobrados por parte dos guardas, de modo a garantir a sua segurança dentro da cadeia, apurou o JN.

Em causa está o facto de o crime por que está indiciada - tentativa de homicídio de um bebé - ser muito mal encarado no meio prisional, pelas outras reclusas.

A jovem sem-abrigo foi detida pela Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira - três dias depois de ter dado à luz em plena rua, completamente sozinha - e desde então que se encontra confinada ao Estabelecimento Prisional de Tires, em Cascais. De acordo com informações recolhidas pelo JN, há quase uma semana que a mulher está à parte das restantes presas, para evitar eventuais agressões ou apenas insultos por parte de outras reclusas.

Contactada pelo JN, a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais escusou-se, por razões de reserva, a adiantar pormenores sobre a situação da jovem, assegurando que "se cumpriram os procedimentos legalmente previstos para o ingresso, avaliação e afetação de reclusos".

Recém-nascido está bem

O caso remonta a terça-feira da semana passada, quando um sem-abrigo encontrou, num ecoponto nas traseiras de uma discoteca em Lisboa, um recém-nascido.

A mãe do bebé seria detida pela PJ na sexta-feira, a poucos centenas de metros do local do crime, na tenda onde pernoitava há meio ano. O parto terá acontecido nas imediações.

O bebé já está livre de perigo e deverá ter alta hospitalar nos próximos dias. Quando tal acontecer, irá, por decisão judicial, para uma instituição, mas o mais provável, sabe o JN, é que seja depois entregue a uma família de acolhimento.

Pedida libertação
Um grupo de advogados entregou, anteontem, um habeas corpus a pedir a libertação da jovem. Defendem que sua prisão é ilegal.

Crime em causa
A jovem deveria, sustentam, estar indiciada não por tentar matar, mas por "exposição ou abandono", um crime que não permite aplicar prisão preventiva.