Crime

Mata a mãe e esconde-a em casa durante 15 dias em Vila Nova de Gaia

Mata a mãe e esconde-a em casa durante 15 dias em Vila Nova de Gaia

Rosa Novais foi, ao longo dos últimos anos, maltratada e agredida pela filha, Sofia. Sempre negou os abusos que sofria e perdoava os ataques da mulher de 48 anos que, há cerca de 15 dias, asfixiou a mãe até à morte.

O cadáver da septuagenária foi mantido em segredo na habitação partilhada pelas duas mulheres, um apartamento na Rua capitão Salgueiro Maia, em Vilar de Andorinho, Vila Nova de Gaia. E o homicídio só foi descoberto na quinta-feira, quando Sónia se deslocou à esquadra da PSP de Cedofeita, no Porto, e confessou o crime.

Segundo um comunicado da Polícia Judiciária, a morte terá ocorrido na tarde de 14 de julho na sequência de mais uma discussão entre a mãe e filha. O relacionamento entre ambas "sempre foi marcado por conflitos, sendo que em data prévia ao homicídio a arguida terá causado a queda da mãe, cuja locomoção ficou limitada desde então. Naquela tarde, após nova discussão, terá acabado por asfixiar a progenitora".

Entre a data morte e até se apresentar às autoridades, a mulher, já com antecedentes criminais por ofensas à integridade física e peculato, "pernoitou em vários hotéis e pensões, efetuando levantamentos e pagamentos com os cartões bancários da sua mãe".

Vizinhos em choque

O assassinato de Rosa Novais deixou em choque os vizinhos, que já andavam preocupados com o silêncio da idosa. "Estranhei que o tapete da entrada do apartamento estivesse desarrumado e, na semana passada, tentei falar com ela. Telefonei-lhe e toquei à campainha, mas ninguém me atendeu", referiu, ao JN, a vizinha da frente, Valentyna Pivnenko.

Vanessa São Martinho, moradora no mesmo prédio, também sentiu a ausência de Rosa Novais, viúva há duas décadas e com uma vida ativa. Não a surpreendeu, porém, o desfecho trágico da relação entre mãe e filha. "Há alguns anos, na véspera de Natal, já tinha tentado matar a mãe à facada. Nós, os vizinhos, é que tivemos de nos meter para impedir o crime", recorda. "Apercebi-me que a dona Rosa era maltratada pela filha e cheguei a vê-la com pisaduras. Mas ela sempre negou as agressões", acrescentou Conceição Silva, residente no bairro de Gaia.

Já outros vizinhos que, nas duas últimas semanas, tentaram contactar com Rosa Novais chegaram a ser recebidos à porta pela filha, que foi arranjando desculpas para a ausência da mãe, que tinha assassinado.