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MP pede penas "perto da máxima" para homicidas de Mota JR e oito anos para "isco" 

MP pede penas "perto da máxima" para homicidas de Mota JR e oito anos para "isco" 

O Ministério Público pediu a aplicação de uma pena de prisão "perto da máxima", de 25 anos, aos três arguidos acusados do homicídio do rapper Mota JR à porta da casa deste, em São Marcos, Cacém, em março de 2020 e de oito anos para a jovem acusada de ser o isco para a cilada mortal.

O julgamento do caso chegou esta segunda-feira ao fim no Tribunal de Sintra. Durante as alegações finais, o Ministério Público (MP) considerou que os arguidos João Luizo, Edi Barreiros e Fábio Martins devem ser condenados por homicídio qualificado, roubo agravado, sequestro, furto qualificado e profanação de cadáver. Catarina Sanches, acusada de roubo agravado, deve ser condenada por roubo simples, considerou o MP.

Os advogados de Catarina Sanches e João Luizo pugnaram pela absolvição dos arguidos. Ao JN, Miguel Matias considera que não ficou demonstrada a participação da arguida. "Ela foi surpreendida e agredida por dois arguidos quando estava com David Mota à porta da casa deste para passarem juntos o serão. Os agressores estavam dentro do prédio, não foi ela que abriu a porta nem sabia de qualquer plano ou cilada", afirmou Miguel Matias.

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António Jaime, advogado de João Luizo, o arguido tido como mentor do crime, considera que o processo não está suportado em qualquer prova, nem direta nem indireta. "Toda a acusação está assente no quinto poder, ou seja, nas redes sociais e no que se escreveu sobre o que aconteceu. Não é possível condenar alguém só tendo em conta conversas na Internet", disse o advogado.

O MP acredita que a Catarina Sanches se encontrou com Mota JR na noite de 14 de março de 2020 por ordem de João Luizo. No prédio onde residia, Mota JR foi surpreendido por Edi Barreiros e Fábio Martins encapuzados, que agrediram o artista a soco e pontapé. Mota JR tentou resistir ao assalto e foi arrastado até um túnel, onde, já com João Luizo no local, foi sovado e atirado violentamente várias vezes contra a parede. Acabou por não resistir às agressões e morreu, acredita o MP.

Os suspeitos deixaram o corpo sem vida de Mota JR na Serra da Arrábida, a mais de cem quilómetros do local do crime, numa zona que João Luizo conhecia. Voltaram à casa do rapper, esperaram que a mãe e irmã destes saíssem e roubaram os seus pertences.

O corpo do artista foi encontrado dois meses depois do crime em elevado estado de decomposição devido à presença de javalis na zona.

Assalto rendeu 1600 euros

O assalto rendeu cerca de 1600 euros, resultante da venda de dois anéis e um fio de ouro que Mota JR tinha consigo e em sua casa. Pressionados pela eventual detenção, já que as autoridades tinham sido alertadas, colocaram-se em fuga. João Luizo e Edi Barreiros saíram do país antes da declaração de Estado de Emergência e antes de estarem identificados como suspeitos. Fábio Martins permaneceu em território nacional, foragido das autoridades e na companhia de um amigo.

Edi Barreiros regressou em junho ao país e foi detido no aeroporto do Porto. Em Inglaterra, João Luizo foi capturado pelas autoridades no âmbito da cooperação internacional entre a PJ e a Polícia britânica, e trazido para Portugal. Em julho, a PJ deteve a jovem de 22 anos e, em novembro, quarto suspeito, Fábio Martins.

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