
Testemunhas e arguidos começaram a depor
FERNANDO FONTES/GLOBAL IMAGENS
Arguidos e testemunhas contestam acusação do MP por prostituição em boîtes de Coimbra e Mealhada.
Um arguido e uma testemunha do processo de lenocínio que começou a ser julgado quarta-feira, em Coimbra, declararam que as "bailarinas" das boîtes "Impacto Clube" e "Residencial Camélias" ganhavam quatro a cinco mil euros por mês a fazer alterne. As contas são do dono de uma agência de Lisboa que angariava e colocava mulheres estrangeiras naqueles estabelecimentos, em Coimbra e na Mealhada, e a testemunha é uma das "bailarinas", que alegaram que o seu negócio não era a prostituição.
"O negócio da prostituição destrói o do "strip". São incompatíveis", alegou o empresário, que é uma das quatro pessoas que, juntamente com três empresas, foram acusados de crimes de lenocínio agravado e auxílio à imigração ilegal, relativos ao período 2007-2014.
Quartos a dez euros
Adriana Miguel, arguida principal e que responde ainda por branqueamento em coautoria com uma sobrinha também brasileira, admitiu que algumas mulheres das "Camélias", por decisão própria, se prostituíssem nos quartos por cima da boîte. Mas acrescentou que o ganho da casa vinha das bebidas e, naqueles casos, só cobrava dez euros pelo uso dos quartos.
Mas a arguida também defendeu que, após deixar as "Camélias" em 2006, só ali voltou uns meses, em 2011, para ajudar a dona do espaço, conhecida na região como "Madame Filipa", que era sua amiga e estava doente. A própria acusação visa a atividade de Adriana Miguel, sobretudo, na boîte que ela abriu no Monte Formoso, em Coimbra. A empresária também negou que ali houvesse prostituição. Mas inspetores do SEF declararam ao tribunal que estiveram nos bares e ficaram convencidos de que os clientes podiam ir para um espaço "privado" com algumas bailarinas da casa manter relações sexuais, mediante o pagamento de uma garrafa de "champanhe", por 100 ou 150 euros.
Com base na tese de que os seus rendimentos são produto de atividade criminosa, o Ministério Público requereu que Adriana e a sobrinha também sejam condenadas a pagar ao Estado 735 mil euros.
