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Os portugueses famosos que fugiram à justiça

Os portugueses famosos que fugiram à justiça

João Rendeiro não é o primeiro famoso a escapar às malhas da justiça portuguesa. Pedro Caldeira, Padre Frederico, Fátima Felgueiras e Vale Azevedo são algumas personagens que nos últimos anos conseguiram passar a perna às autoridades judiciais nacionais.

Pedro Caldeira

Chamavam-lhe o mago da bolsa de Lisboa, mas, em 1992, a sua corretora ruiu como um castelo de cartas deixando prejuízos de milhões de contos e arruinando dezenas e dezenas de investidores.

Após o colapso da sua firma, Caldeira fugiu para os Estados Unidos. Seria preso pelo FBI num quarto de hotel em Miami com a mulher e os dois filhos. Em 2000 acabaria absolvido dos 65 crimes de burla agravada e 17 de abuso de confiança de que tinha sido acusado.

Padre Frederico

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Em 1993, Frederico Cunha, padre de nacionalidade brasileira, foi condenado a 13 anos de prisão por homicídio. O Tribunal do Funchal deu como provado que atirou, de uma falésia, um jovem de 15 anos com quem manteria um relacionamento amoroso.

Cinco anos depois, aproveitou uma saída precária, foi de carro até Madrid, Espanha, onde apanhou um avião com destino ao Brasil. Hoje vive com a mãe num prédio de luxo no Rio de Janeiro. Numa entrevista recente mantém a afirmação de inocência e garante que ainda dá missa.

Fátima Felgueiras

Em maio de 2003, a presidente socialista da Câmara de Felgueiras soube, antes de ser público, que o Tribunal de Relação de Guimarães lhe tinha decretado a prisão preventiva, no âmbito do caso "Saco Azul".

Fátima não perdeu tempo e nesse mesmo dia fugiu para o Brasil, via Espanha. Por ter dupla nacionalidade, não foi extraditada. Em setembro de 2005, após negociações com as autoridades portuguesas, regressou ao país. Foi detida, mas logo libertada, condidatando-se novamente à Câmara, agora como independente. Ganhou com maioria absoluta.

Em 2008, foi condenada em primeira instância por peculato e abuso de poder. Mas em 2012, depois de vários recursos, acabou absolvida de todos os crimes do caso "saco azul", nalguns casos por prescrição dos mesmos. Acabaria condenada, noutro processo, pelo crime de participação económica em negócio, a um ano e oito meses de pena suspensa e 70 dias de multa.

Vale e Azevedo

Após três anos à frente do Benfica, o advogado perde as eleições no clube em outubro de 2000 e, quatro meses depois, é detido. Em 2002, é condenado a quatro anos e meio de cadeia, por desviar dinheiro do clube. Em 2004, é ordenada a sua libertação por causa de um erro processual. Esteve 14 segundos em liberdade. Seria de imediato preso por outro processo.

Sairia da cadeia em 2005, após apresentar uma caução de 250 mil euros. Foi sendo condenado por vários casos, fixando-se o cúmulo jurídico em 11 anos e meio de prisão.

Em 2008, é decretada a sua prisão, mas o tribunal descobre que o advogado está em Londres e o Reino Unido rejeita a sua extradição.

Em 2012, Vale e Azevedo entrega-se para cumprir pena. Seria libertado em junho de 2016. Enquanto esteve preso foi condenado a mais dez anos de prisão. Recorreu e aproveitou o efeito suspensivo para fugir num jato privado de novo para Londres.

Apesar de ostentar uma vida de luxo, no ano passado um tribunal britânico confirmou a sua insolvência, decretada em 2009, pelo que o advogado ficou desobrigado de pagar os mais de 60 milhões de euros que devia a dezenas de lesados, incluindo o clube que presidiu.

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