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Pela primeira vez há menos candidatos a polícia do que vagas

Pela primeira vez há menos candidatos a polícia do que vagas

Havia 1000 vagas disponíveis, mas lista publicada nesta sexta-feira só tem 793 candidatos aptos ao curso de formação de agentes da PSP. Sindicatos alegam que desinteresse reflete más condições da profissão.

Nem 1000, o número total de vagas, nem 900, nem tão pouco 800. Foram apenas 793 os candidatos aptos a integrar o próximo curso de formação de agentes da PSP. Os sindicatos salientam que é a primeira vez na história da Polícia que há menos candidatos do que as vagas disponíveis e que tais números demonstram as más condições laborais que há muito são denunciadas.

Já se sabia que o próximo curso de formação de agentes da PSP não tinha captado a atenção de muitos jovens e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, confirmou, no início desta semana, essa falta de interesse.

No Parlamento, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2021, o governante revelou que não havia candidatos suficientes para ocupar as mil vagas criadas pelo novo curso. Porém, só nesta sexta-feira, dia em que foi publicada a lista provisória dos candidatos aprovados no concurso externo de ingresso para admissão ao curso de formação de agentes da PSP, se ficou a perceber a verdadeira dimensão da questão.

Nessa listagem constam 793 mulheres e homens que, após a realização das provas físicas, prova de conhecimentos, avaliação psicológica, exame médico e entrevista, foram dados como aptos.

Ordenado demasiado baixo para viver em Lisboa

"O ministro tinha-se comprometido com 1000 novos polícias este ano e, agora, verificou-se que isso não irá acontecer. Pela primeira vez na história da PSP, não existe excedente de candidatos, quando, no passado, até era criada uma bolsa de candidatos para cursos seguintes", critica Armando Ferreira.

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O presidente do Sindicato Nacional da Polícia mostra-se "muito preocupado por existirem tão poucos candidatos a polícias aprovados", até porque, alega, "a cada dia que passa torna-se urgente o reforço de efetivos na PSP". Mas o sindicalista percebe as razões para tanto desinteresse. "Há falta de estímulos para a escolha da profissão, agravada pela quase inexistente diferença entre o salário mínimo nacional e o salário base de um polícia em início de carreira. Por outro lado, o facto de todos os novos polícias terem de vir trabalhar para Lisboa durante muitos anos, uma cidade que se tornou demasiado cara para os baixos salários praticados na PSP, afasta os candidatos", afirma.

Paulo Monteiro, líder do Sindicato Independente da Polícia, destaca, igualmente, este último argumento. "Muito poucos, para não dizer quase ninguém, são aqueles que querem servir a PSP no atual estado em que se encontra. Um dos motivos pelos quais se prende tal escassez de recursos humanos é o facto de muitos dos polícias ficarem a aguardar colocação perto de casa por mais de 20 anos", critica.

O Sindicato Independente dos Agentes da Polícia é outro que salienta o facto de, pela primeira vez, um curso para agente ter menos candidatos que vagas. "Isto deverá ser motivo de muita preocupação e de reflexão por parte do Ministério da Administração Interna e da Direção Nacional da PSP. Para a PSP hoje é, certamente, um dia triste", sustenta este sindicato.

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