Violência doméstica

Perdoou agressor que a fez perder bebé e acabou arrastada pela rua

Perdoou agressor que a fez perder bebé e acabou arrastada pela rua

Portuguesa foi atacada pelo companheiro em Espanha, mas aceitou fugir para Penafiel para manter relacionamento amoroso. Espanhol foi detido nesta semana por partir costelas à vítima e por forçá-la a tomar medicação para que não fugisse

Uma portuguesa, de 30 anos e grávida, perdeu o filho na sequência de uma violenta agressão do companheiro, um espanhol dez anos mais velho, quando residia no país vizinho. Mesmo assim, perdoou-lhe e, para evitar as medidas de coação impostas pelas autoridades espanholas, aceitou regressar a Penafiel para manter o relacionamento. Foi novamente agredida e chegou a ser arrastada pela rua pelo indivíduo que, na terça-feira, foi detido pela GNR.

A mulher emigrou para Espanha e foi lá que iniciou um relacionamento amoroso com um espanhol. Nunca casaram, mas viveram em união de facto até que, em junho do ano passado, o homem foi apanhado, em flagrante, pela Polícia a bater-lhe. Na altura, a portuguesa estava grávida e perdeu o filho na sequência das agressões sofridas.

Detido pela Polícia espanhola, o agressor seria libertado pelo tribunal, mas impedido de se aproximar e de manter qualquer contacto com a companheira. Esta medida de coação nunca foi cumprida e a vítima acabou por perdoar o agressor. Também aceitou regressar à terra natal, uma localidade do concelho de Penafiel, e aí reatar a relação com o homem que a fez perder o bebé.

A fuga para Portugal permitiu ao indivíduo escapar ao controlo das autoridades espanholas, que o mantinham monitorizado não só por causa da violência doméstica, como também por outros crimes como burlas.

Vítima fugiu, mas foi arrastada pela rua

A viver em Penafiel desde janeiro deste ano, o agressor encontrou emprego numa empresa de construção civil, mas não mudou o comportamento agressivo. Continuou a atacar a companheira e num dos últimos episódios violentos, ocorrido há cerca de 15 dias, as pancadas desferidas partiram as costelas à vítima. A GNR esclarece que, "após a alta do hospital, a mulher refugiou-se em casa de familiares" para evitar novos ataques.

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Todavia, o agressor obrigou-a "a regressar a casa" e, apurou o JN, arrastou-a pela rua. A vítima foi, igualmente, forçada a tomar medicação para permanecer apática e para que "não fugisse da residência".

Só nesta ocasião é que o caso chegou ao conhecimento do Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Específicas de Penafiel da GNR que, após a realização de algumas diligências para recolher prova, deteve o agressor na passada terça-feira.

No dia seguinte, o juiz decretou que o agressor ficasse, como já tinha acontecido em Espanha, proibido "de se aproximar, permanecer ou frequentar a habitação da vítima". Está, de igual modo, proibido "de contactar, por qualquer forma ou meio ou por interposta pessoa, com a vítima, os pais desta e as testemunhas identificadas". Desta vez, fica ainda "controlado por pulseira eletrónica".

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