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PJ investiga ameaças a deputadas e à SOS Racismo

PJ investiga ameaças a deputadas e à SOS Racismo

A Polícia Judiciária está a investigar ameaças feitas a três deputadas, à SOS Racismo e a outros dirigentes antirracistas e sindicais por parte de um grupo de extrema-direita. O ativista Mamadou Ba já prestou declarações às autoridades e o BE vai avançar com uma participação ao Ministério Público.

Pouco mais de três dias após uma parada supremacista branca em frente à sede da SOS Racismo, a fazer lembrar episódios da Ku Klux Klan, a Polícia Judiciária (PJ) já está a investigar aquele gesto levado a cabo por um novo grupo de extrema-direita que se autodenomina "Resistência Nacional".

Ao JN, Mamadou Ba adiantou que prestou, esta quarta-feira, declarações à PJ no âmbito deste caso. "Quero acreditar que, com esta iniciativa da Polícia Judiciária, o Estado tudo fará para finalmente combater com maior eficácia o terrorismo de extrema-direita no espaço público, porque, mais do que uma ameaça a mim e aos meus, é a ordem democrática que está a ser posta em risco e ameaçada", acrescentou.

O dirigente da SOS Racismo confirmou a receção pela organização de um email que dá um prazo de 48 horas para que dez pessoas abandonem o país.

Na missiva, o grupo fascista anuncia ainda que neste mês de agosto um "novo nacionalismo" irá solidificar-se.

O texto nomeia três deputadas, Joacine Katar Moreira (Independente), Beatriz Gomes Dias e Mariana Mortágua, ambas do BE, o dirigente da SOS Racismo, Mamadou Ba, e várias personalidades ligadas a movimentos antifascistas, antirracistas, sindicalistas e LGBTI+, onde se contam membros da Frente Unitária Antifascista (FUA) e do Sindicato dos Trabalhadores de Call Center.

O Bloco de Esquerda adiantou, ao JN, que "deu imediatamente conhecimento à PJ" de tais ameaças. Mais: "as duas deputadas do Bloco irão apresentar queixa ao Ministério Público".

Entretanto, autoridades já fizeram perícias aos computadores da SOS Racismo.

Além das três parlamentares, de Mamadou Bá, foram alvo das ameaças os ativistas Danilo Moreira, dirigente sindical dos trabalhadores dos Call Centers e da FUA, Jonathan Costa, também da FUA, Luís Lisboa, do Núcleo Antifascista de Guimarães, Melissa Rodrigues, membro do Núcleo Antirracista do Porto, Rita Osório, ativista LGBT e da Plataforma Antifascista, e Vasco Santos, que além de ser do Sindicato da Função Pública do Norte, também integra a FUA e o Movimento Alternativa Socialista (que resultou de uma cisão dentro do BE).

Na noite de sábado, pelas 22 horas, o grupo de extrema-direita denominado "Resistência Nacional" concentrou-se junto à sede da SOS Racismo, em Lisboa.

Os manifestantes estavam tapados com máscaras brancas, vestidos com roupa preta e munidos de tochas. Nas redes sociais, o grupo disse ter ido homenagear "a memória dos polícias mortos".

O dirigente da SOS Racismo, Mamadou Ba apresentou queixa no Ministério Público após esta manifestação por considerar que se tratou "no fundo, de uma ação terrorista de extrema-direita para tentar intimidar e coagir os ativistas do SOS Racismo".

"Não é aceitável num espaço público paradas estilo Ku Klux Klan e ameaças de morte a ativistas e políticos. Estamos perante um escalar do terrorismo psicológico e físico. E pior: temos assistido a uma retórica de André Ventura, sem que tivesse havido nenhuma consequência política em relação a este deputado, que de forma reincidente se tornou um megafone institucional do racismo", apontou Ba, ao JN.

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