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Formação obrigou agentes de Faro a deslocarem-se para Lisboa. Caserna tem vidros partidos, humidade e casas de banho impróprias. Direção Nacional da PSP defende que formação é impreterível.
Polícias do Corpo de Intervenção (CI) da Unidade Especial de Polícia foram instalados numas "instalações degradadas", durante uma ação de formação que está a decorrer em Lisboa. A falta de condições terá, inclusive, contribuído para que se tenham registado dois casos de infeção por covid-19, que afetaram um formando e um formador.
A denúncia é feita pelo Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), mas a Direção Nacional da PSP garante que a formação é "impreterível" e que tem em vigor um plano para "salvaguardar a saúde dos polícias e manter a capacidade operacional". Mesmo num quadro de "agravamento global cíclico do contexto pandémico".
Os agentes do CI, num total de 16, estão deslocados no Comando de Faro, mas mudaram-se para Lisboa, no início da semana, para participarem numa formação. Ficaram instalados num edifício da PSP, situado na Calçada da Ajuda. "Já é normal ficarem aqui, mas, desta vez, encontraram as instalações mais degradadas que o habitual", critica o presidente do SPP, Mário Andrade. Vidros partidos, humidade nas paredes e tetos e casas de banho sujas e com partes do teto partido são algumas das lacunas identificadas. "As instalações sofreram um desgaste acentuado, porque não houve investimento na sua manutenção", refere Mário Andrade.
O sindicalista defende que estas condições contribuíram para que dois polícias ficassem infetados com covid-19, durante a formação e, por esse motivo, exige mudanças. "A formação devia ser suspensa enquanto houver pandemia. Em alternativa, deviam ser os formadores a deslocarem-se aos comandos de Porto e Faro para dar a formação. Tem de haver dignidade", refere.
Plano eficaz, diz PSP
Depois destes 16 formandos, outros elementos do CI deslocados em Faro rumarão a Lisboa. E, em seguida, serão os polícias do Porto a instalarem-se no mesmo local. "No que concerne à instalação dos formandos, esta decorre de acordo com a disponibilidade verificada, sendo a melhoria da qualidade do acolhimento uma constante preocupação da PSP. Esta decorre nas mesmas condições dos demais polícias da Unidade Especial de Polícia/CI", afirma a Direção Nacional.
Ao JN, a chefia da PSP garante, também, os "formandos são alertados para a absoluta necessidade de manterem o estrito cumprimento dos protocolos internos definidos sobre esta matéria e, perante sintomas ou situações de risco, acionadas as medidas necessárias".
A PSP realça que dispõe, "desde os primeiros dias da atual situação de saúde pública, um plano de contingência" e que este, devidamente atualizado, tem permitido "manter a capacidade operacional da PSP, não obstante o agravamento global cíclico do contexto pandémico".
"No mesmo enquadramento, a grande maioria das ações de formação planeadas têm sido concretizadas de forma não presencial ou suspensas, salvo aquelas que, por motivos diversos, têm sido consideradas prioritárias e de impreterível realização presencial, como é o caso da mencionada.
Nestas situações, todos os Polícias envolvidos são de imediato testados à chegada (teste PCR) e, no caso de teste positivo, a pessoa em apreço é de imediato sujeita ao protocolo estabelecido", conclui.
