Protesto

Polícias entregam ao Governo memorando sobre subsídio de risco que não querem faseado

Polícias entregam ao Governo memorando sobre subsídio de risco que não querem faseado

Uma plataforma de associações socioprofissionais da GNR e sindicatos da PSP, concentrada na tarde desta quinta-feira em Lisboa, entregou ao Governo um memorando sobre o subsídio de risco mas avisa que não o aceita de forma faseada.

Elementos das 13 organizações que constituem a plataforma estiveram esta quinta-feira em protesto junto do Ministério da Administração Interna (MAI), em Lisboa, onde esteve também a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), que não integra o conjunto de associações e sindicatos mas que participou. Todos exigem um subsídio de risco de 430 euros, mas a ASPP vai apresentar uma proposta ao Governo que prevê o pagamento de forma faseada até 2024, algo que não é consensual junto das restantes organizações.

O presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), Mário Andrade, uma das 13 associações e sindicatos e que participou na entrega do documento no MAI, garantiu à Lusa que a plataforma não aceita a proposta que a ASPP vai apresentar.

"Não abdicamos da proposta, porque é um valor que já existe para todas as outras estruturas que têm subsídio de risco, e não vamos admitir que seja de forma faseada. O risco também não tem fases é iminente e permanente", garantiu à Lusa.

Para o responsável do SPP não há necessidade de fasear o pagamento do subsídio de risco da PSP e da GNR, uma vez que o montante é pago mensalmente às outras estruturas policiais, como a Polícia Judiciária e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

"Poderemos aceitar alguns pressupostos que serão feitos no dia 21, mas se o valor [de 430,39 euros] não for este a nossa luta terá de continuar sempre, nem que seja durante o período da próxima campanha eleitoral para as autárquicas. Não podemos fazer greve como as outras forças, mas usaremos todas as formas legais e dignas até atingir este valor", avançou.

PUB

Pedro Carmo, presidente da Organização Sindical dos Polícias (OSP/PSP), também da plataforma, garantiu também à Lusa que polícias e GNR não abdicam dos 430 euros e que estão "inflexíveis" em relação a isso, acrescentando que caso o Governo não aceite a proposta vão continuar a mostrar o "desagrado de todas as formas permitidas legalmente".

Na concentração que hoje decorreu em frente do MAI, idêntica a outra de manhã em frente do Palácio da Ajuda (onde se reunia o Governo), o dirigente explicou que os protestos se destinam a mostrar o desagrado pela "proposta de 68 euros" do Governo face à proposta de 430 euros da PSP e GNR.

E no dia 21, quando Governo e representantes das duas forças de segurança se reunirem no MAI, espera ter também na Praça do Comércio muitos profissionais a manifestarem-se.

Cristiano Correia, dirigente da ASPP, também disse à Lusa que espera que todos os policias "marquem presença" no dia 21, lembrando que a ASPP tem organizado vigílias em todo o país na defesa de um subsídio de risco digno. As ações de luta, disse, "vão continuar".

O protesto da tarde de hoje em frente ao MAI, simbólico como disseram os dirigentes, terminou com a plataforma a entregar o memorando ao Governo, seguindo-se depois um minuto de silêncio em memória dos polícias mortos e acabando com todos a cantar o Hino Nacional.

O subsídio de risco é uma das principais e mais antiga reivindicação dos polícias e a atribuição deste suplemento está prevista no Orçamento do Estado deste ano, numa decisão dos partidos da oposição e não do Governo.

As concentrações de hoje foram marcadas pela plataforma mas não pela ASPP nem pela APG (Associação dos Profissionais da Guarda), as duas maiores representantes de polícias e guardas.

Ainda assim, na tarde de hoje na Praça do Comércio as bandeiras que se agitavam eram quase apenas da ASPP.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG