Universidade de Lisboa

Professor de Direito compara mulheres a "canalhas" em cadeira de mestrado

Professor de Direito compara mulheres a "canalhas" em cadeira de mestrado

Duas disciplinas de mestrado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa foram retiradas do site da instituição, após o professor atacar e tecer comentários polémicos sobre a igualdade de género, os direitos LGBT e até sobre o papel dos psicólogos. Francisco Aguilar está também a ser julgado por violência doméstica.

Os conteúdos das cadeiras de Direito Penal IV e Direito Processual Penal III desapareceram, para já, dos conteúdos programáticos de dois mestrados da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Francisco Aguilar, docente da instituição, compara nos programas as mulheres a "pessoas desonestas, espertas e canalhas", defende que o feminismo deve ser julgado como nazismo e denuncia o ataque ao cristianismo e ao Ocidente. A notícia é avançada pelo "Público" e pelo menos uma destas disciplinas era de frequência obrigatória.

A Universidade de Lisboa referiu ao jornal que o caso está a ser analisado pelas "autoridades competentes". Em comunicado, a instituição realça que "defende a dignidade de todos" e que o plano de estudos deve respeitar os valores da igualdade. Por sua vez, o professor de Direito disse que não ia "abdicar da sua liberdade científica".

Além dos comentários avulsos acerca da igualdade de género, os programas (que estavam divulgados na Internet) apresentam frases elaboradas das teorias defendidas por Francisco Aguilar. Um exemplo: "A suástica , impante do triunfo da vontade da nova deificada casta das senhoras, flutua orgulhosa no Ocidente: para lá do círculo branco o cor-de-rosa substitui o vermelho".

Há ainda a perceção do docente de Direito de que o Cristianismo está a ser atacado, mais propriamente, há uma "substituição da moral de Cristo pela imoralidade da besta", numa referência à Maçonaria. A crítica abrange também os psicólogos que "transmutam" os valores do Ocidente pela "adoção da ideia da besta do pós-modernismo iluminista".

Alguns dos temas têm sido amplamente estudados em obras de Francisco Aguilar. O conceito de "tribo" - utilizou-o nos programas de mestrado com as mulheres como "tribo vítima" e os grupos LGBT como "tribos aliadas" - surgem no texto "O homem moralmente orientado como juízo do crivo da axiológica ideia de Direito na natureza das coisas: sobre a recusa do pós-modernamente renovado torto tribal", publicado na revista "O Direito" em 2019. O nome "torto tribal" foi também referido nas disciplinas da Universidade de Lisboa para criticar o "maçónico e o socialista de género e identitário".

Francisco Aguilar, que segundo o "Público" está a ser julgado por violência doméstica no Tribunal Criminal de Lisboa, considera que este crime deve ser tratado como "disciplina doméstica". O docente está a ser acusado por uma ex-aluna com quem teve uma relação entre 2015 e 2016. Mesmo no tribunal, Francisco Aguilar manteve as opiniões, e chegou a afirmar: "Morte a todos os feministas".

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