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PSP identificou antifascistas que vandalizaram sinagoga do Porto

PSP identificou antifascistas que vandalizaram sinagoga do Porto

A Polícia de Segurança Pública identificou o grupo que colou autocolantes da rede antifascista alemã "Anti Faschistishche Aktion", quinta-feira, na sinagoga do Porto.

O grupo também é suspeito de estar a preparar a vandalização do Museu do Holocausto da cidade, tendo sido identificados alguns dos seus elementos durante uma visita no dia anterior à ação perpetrada na sinagoga.

A investigação da PSP surge na sequência de uma participação feita pela Comunidade Judaica do Porto, que repudiou "a associação de sinagogas ao fascismo e a quaisquer movimentos políticos" e lembrou já ter sido alvo de violência no PREC, o período de tensão política e social que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, em Portugal.

"Quando movimentos de extrema-esquerda ocuparam as fábricas de membros da comunidade dizendo que eles eram fascistas, os movimentos de extrema-direita vandalizaram a sinagoga pelo facto de a associarem ao comunismo", recordou a Comunidade Judaica no Porto (CJP).

Também a Comunidade Israelita de Lisboa se associou à CJP, apelando publicamente à investigação e punição dos responsáveis pela "atitude xenófoba, preconceituosa, profundamente antidemocrática e atentatória de princípios de respeito, tolerância e sã convivência".

O JN sabe que responsáveis pela segurança das comunidades judaicas na Europa estarão em Portugal nas próximas semanas para reunir com as forças de segurança nacionais e falar da proteção das comunidades judaicas portuguesas.

A reunião estava marcada antes do incidente da passada quinta-feira, "por ser muito previsível o aumento do antissemitismo" à medida que a comunidade judaica nacional cresce e vai tendo maior visibilidade, com a chegada de milhares de judeus nos últimos anos, a criação de museus e a abertura de hotéis "kosher" e restaurantes.

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"O perigo de violência contra interesses judaicos advém não apenas da situação de Israel e de movimentos de cariz religioso que se movem numa Europa de fronteira abertas, mas também de extremismos políticos de direita ou de esquerda que atribuem ao povo judeu as mesmas caraterísticas materialistas e imperialistas que o nazismo lhe imputava, donde se segue a possibilidade de agressão e difamação das pessoas judias e a vandalização do seu património", disse ao JN Leon Harari, da segurança da comunidade judaica do Porto.

"A vandalização da sinagoga do Porto mostra como os que odeiam Israel se manifestam contra os judeus locais", argumenta o Diretor da Liga Anti-Difamação (ADL) na Europa, Andrew Srulevich, em declarações ao JN.

Em 2014, segundo um relatório da ADL, quase dois milhões de portugueses manifestavam ideias antissemitas.

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