Luanda Leaks

Rui Pinto "tropeçou" em documentos sobre Isabel dos Santos

Rui Pinto "tropeçou" em documentos sobre Isabel dos Santos

O "hacker" Rui Pinto descobriu acidentalmente os dados sobre Isabel dos Santos quando procurava informações sobre negócios ilícitos do futebol.

"Ele tropeçou nisto [Luanda Leaks]", garante William Bourdon, advogado de Rui Pinto, confirmando que foi o português que libertou os mais de 700 mil documentos com revelações sobre a fortuna de Isabel Dos Santos.

O jurista francês acrescentou ao jornal "New York Times" (NYT) que o pirata informático luso lhe deu o disco duro durante um jantar em 2018, em Budapeste, Hungria, antes de vir a ser detido a pedido das autoridades portuguesas.

Rui Pinto estaria a vasculhar sistemas informáticos de empresas e escritórios de advogados ligados ao futebol à procura de negócios obscuros ligados ao futebol quando se deparou com centenas de milhares de documentos ligados a companhias controladas por Isabel dos Santos e o marido, Sindika Dokolo.

Durante um jantar, o português confidenciou ao advogado que acreditava ter informações sobre como a mulher mais rica de África e filha do ex-presidente de Angola tinha acumulado a sua fortuna de dois mil milhões de euros. "Construí uma relação de confiança com ele e ele teve prazer em partilhar connosco a informação de um grande escândalo africano", explicou Bourdon ao NYT.

Segundo Bourdon, o português deu-lhe um disco duro e pediu-lhe para levar aquelas informações à plataforma de denunciantes que o advogado tinha montado em África, a Plataforma de Proteção de Denunciantes na África (PPLAAF).

Porém, ao passar os olhos pela informação, Bourdon apercebeu-se de que teria de partilhar os dados com o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, por este ter mais experiência e mais meios.

PLMJ rejeita ser a origem dos documentos

Uma das possíveis origens dos documentos é a firma PLMJ, mas o escritório de advogados nega.

"É claro que não tenho conhecimento da fonte da documentação que originou as recentes notícias", afirmou Luís Pais Antunes, sócio-gerente da PLMJ, ao NYT. Mesmo assim, assegurou que "é impossível que os documentos que estão ser usados para o grosso das notícias estejam de alguma forma relacionados com a PLMJ ou sequer que alguma vez tenham estado à nossa disposição".

O NYT lembra que Rui Pinto, nas suas intrusões informáticas, visou não só clubes e instituições ligadas ao futebol como também escritórios de advogados e serviços de suporte àquelas atividades. O jornal frisa que vários documentos confidenciais da PLMJ ligados ao futebol foram divulgados por Rui Pinto e que estão diretamente ligados aos crimes pelos quais irá ser julgado.

Segundo informações do Luanda Leaks, foram advogados da PLMJ que, em 2015, prepararam um relatório de 16 páginas para Isabel dos Santos a elencar as vantagens fiscais de sediar empresas em Malta. Consequentemente, Isabel dos Santos passou a usar firmas domiciliadas em em território maltês para efetuar algumas das suas maiores transações.

Correção

Por lapso, foi escrito que William Bourdon teria dito que Rui Pinto se deparou com as informações do Luanda Leaks ao vasculhar o sistema informático da PLMJ quando, na realidade, o advogado francês apenas se limitou a afirmar ao NYT que ele "tropeçou" nas informações, sem nunca revelar a sua origem. A referência ao escritório de advogados é feita pelo próprio jornal, sem citar a fonte.