
Rua Morais Soares foi palco de perseguição e morte
Arquivo Global Imagens
Gabriel de Souza, brasileiro de 23 anos, matou à pancada um homem de origem indostânica, um ano mais novo, na Rua Morais Soares, em Lisboa, depois de ser impedido de entrar numa casa onde eram prestados serviços sexuais. O homicídio ocorreu na madrugada de 30 de maio de 2022 e o agressor, detido meses mais tarde, está acusado de homicídio qualificado pelo Ministério Público (MP).
A acusação, a que o JN teve acesso, descreve o período anterior ao homicídio, durante o qual o arguido, servente de pedreiro, foi expulso de uma discoteca em Lisboa, por ter andado à pancada com clientes e vigilantes.
Gabriel de Souza foi assistido no local pelo INEM e, a seguir, foi até à casa da Rua Morais Soares onde eram prestados serviços de cariz sexual. "Ali, esbarrou na intransigência da moradora, que não lhe abriu a porta, apesar de este a ter batido de forma insistente e violenta", diz o MP.
Quando abandonava o imóvel, o arguido apercebeu-se da presença três homens de origem indostânica no hall de entrada, que ali se tinham deslocado também para recorrer ao convívio com as moradoras. Sem nada que o justificasse, assinala a acusação, o arguido ofendeu aquele grupo de três amigos. Um deles, Shubham, procurou reagir, "sendo, contudo, impedido pelo seu amigo".
Perseguição com ferro
Mas o arguido acabou por se envolver numa cena de pancadaria com os três homens e, quando estes fugiram, pegou numa barra de ferro que estava no chão e perseguiu-os pelas artérias adjacentes, levando a que os outros se separassem. Na fuga, Shubham decidiu dirigir-se ao n.º 87 da Rua Morais , onde residia, com o arguido no seu encalce.
"Uma vez no hall de entrada do prédio onde a vítima residia, fazendo uso do referido objeto, [Gabriel] desferiu inúmeras pancadas por várias partes do corpo do ofendido e levou o antebraço ao seu pescoço, que apertou até que este caísse ao chão inanimado". Shubham acabou por falecer.
Perto das 2.30 horas, os amigos da vítima voltaram ao prédio e ainda encontraram o arguido no hall, com a barra de ferro. Gabriel saiu então dali, com o telemóvel da vítima, que entretanto venderia por 50 euros.
O suspeito esteve em fuga, mas acabou detido pela PJ de Lisboa. Agora, está em prisão preventiva.

