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Inquérito

Suspeita de favorecimento da EDP "não faz sentido", diz ex-ministro Manuel Pinho 

Suspeita de favorecimento da EDP "não faz sentido", diz ex-ministro Manuel Pinho 

Manuel Pinho, ministro da Economia entre 2005 e 2009 e arguido no inquérito às alegadas rendas excessivas da EDP, defendeu, esta sexta-feira, que "não faz qualquer sentido" a suspeita do Ministério Público (MP) de que terá feito um acordo para beneficiar a elétrica com António Mexia, presidente daquela empresa de 2006 a 2020.

"A história que foi construída é que eu teria feito um acordo com o chamado meu compadre, o doutor António Mexia, no sentido de apoiar a sua nomeação e, em troca disso, fazer uma série de favores à EDP, para mais tarde ter benefícios próprios e ir dar aulas para o estrangeiro. Não faz qualquer sentido", afirmou o antigo governante à chegada ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em Lisboa, onde, esta sexta-feira à tarde, será ouvido pela primeira vez pelos procuradores titulares do inquérito.

Questionado pelos jornalistas sobre uma alegada avença que terá recebido do Grupo Espírito Santo (GES) e que está também a ser investigada, Pinho, de 66 anos, acusou o MP de, como aquela tese "não faz qualquer sentido", ter anexado ao processo "uma série de coisas que não têm rigorosamente nada a ver com favorecimentos à EDP".

Esta é a quarta vez que o ex-ministro, constituído arguido em 2017, se desloca ao DCIAP para ser interrogado, mas a primeira em que deverá falar, após terem sido solucionados diversos incidentes processuais, incluindo recursos sucessivos interpostos pela sua defesa.

"Mil quatrocentos e oitenta e quatro dias depois de vir aqui pela primeira vez, venho aqui pela quarta e tenho esperança que me deixem prestar as declarações que eu sempre gostaria de ter feito desde o primeiro dia", sublinhou, pelas 15.15 horas desta sexta-feira, Pinho, aproveitando ainda para criticar a duração da investigação do MP, iniciada em 2012.

"É evidente que estarem quatro anos para me ouvirem e andarem a investigar há nove anos assuntos que se passaram há 15 não é propriamente uma democracia", lamentou.

Além de Pinho, o processo conta com pelo menos mais sete arguidos, incluindo Mexia e João Manso Neto, antigo administrador da EDP Renováveis. O MP acredita que os dois ex-dirigentes terão, entre 2006 e 2015, aliciado diversos decisores públicos com cargos no setor da energia, para que fosse aprovada legislação que beneficiou a EDP, de forma alegadamente ilícita, em 1,2 mil milhões de euros.

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Os atos terão abrangido a ação quer do Governo de José Sócrates (2005-2011) quer do Executivo de Pedro Passos Coelho (2011-2015). As suspeitas já foram negadas, publicamente, quer pela EDP quer pelos principais arguidos, incluindo Mexia.

O processo está ainda em fase de inquérito (investigação) e poderá culminar num arquivamento ou na acusação de todos ou de alguns dos arguidos. Em causa estarão crimes de corrupção e participação económica em negócio, entre outros.

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