Ucranianos acusados de incitar ao ódio dizem que comerciante russa faz propaganda soviética

Ucranianos são acusados de ameaçar queimar loja russa em Braga
Pedro Correia/Global Imagens
Os advogados de defesa dos sete ucranianos, que foram acusados pelo Ministério Público de Braga do crime de incitamento ao ódio e à violência por terem ameaçado uma comerciante russa, entregam na segunda-feira no Tribunal um pedido de instrução do processo, alegando que a visada tinha propaganda soviética na loja.
"Está na parede uma bandeira da antiga União Soviética, o que, de acordo com uma decisão do Parlamento Europeu, é propaganda ao imperialismo russo", disse, ao JN, o jurista Miguel Brito.
Conforme o JN noticiou, a acusação diz que, a 7 de março de 2021, e para se vingarem da invasão russa de 24 de fevereiro, foram à loja Troika, explorada por Natalya Sverlova, em S. Vicente. Entraram e disseram-lhe que era "uma p...!" e que devia "voltar para a sua terra".
"Nessa altura - diz o MP - exigiram-lhe que retirasse as bandeiras da Federação Russa e da Ucrânia, ao que ela se opôs, o que os levou a ameaçá-la: "Vamos queimar a loja! Aqui não vais viver"! Quando andares na rua olha para trás! Não vais vender nada! Vocês, russos, vão todos sair deste país...fascistas...filhos da p...!".
A acusação diz que a Natalya pediu, várias vezes, aos arguidos, quatro homens e três mulheres, com idades entre os 21 e os 61 anos, para saírem, mas estes recusaram-se.
Polémica com intérprete
O caso motivou, entretanto, uma queixa à PGR por parte do presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadhoka, sobre o facto de ter sido nomeada uma intérprete de origem russa e que, diz, "apoia Putin".
Uma acusação que a visada, Olga Guedes, refuta: "É uma denúncia caluniosa e uma perseguição pessoal. Trabalho há 20 anos com a Justiça e as polícias, traduzo centenas de diligências e nunca o meu profissionalismo foi posto em causa", afirma, salientando que, no caso, apenas traduziu a vítima, que fala russo. Sublinha ainda que é cidadã portuguesa há mais de 20 anos, sendo português o seu passaporte, e fala várias línguas.
Já Pavlo Sadhoka argumenta que, além do seu "putinismo", as línguas russas e ucraniana são diferentes, pelo que, na tradução, "pode haver diferenças significativas que prejudiquem a sua compreensão".
Bate-boca entre Olga e Sadhoka
Olga Guedes diz que o líder da Associação de Ucranianos em Portugal (UPA), Pavlo Sadhoka, é que é de extrema-direita. E garante que as publicações pró-Putin no Facebook foram pirateadas: "Não escrevi nada".
Pavlo Sadhoka diz que os imigrantes pró-russos inventaram que é de extrema-direita: "É uma acusação que forjam contra os que são contra a agressão de Putin", explica, garantindo não ter ligação a nenhum partido ou fação.
