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Vendia produtos para emagrecimento para sacar dados de cartões bancários

Vendia produtos para emagrecimento para sacar dados de cartões bancários

A Polícia Judiciária, em cooperação com o Departamento de Investigação e Ação Penal de Loures, deteve esta quarta-feira um homem, com 38 anos, suspeito de vários crimes de burla informática, falsidade informática e acesso ilegítimo usando a plataforma Revolut. O indivíduo geria uma página de venda de produtos de emagrecimento.

A investigação, a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), iniciou-se em meados de agosto de 2021, "tendo por base vários casos de fraude com recurso a dados de cartões bancários, utilizados para creditar várias contas da plataforma 'Revolut', movimentos que apresentavam um total aproximado de 15 mil euros".

A Revolut é um banco digital, sedeado na Lituânia e habilitado a operar em Portugal, que permite aos seus clientes ter uma conta exclusivamente online, à qual pode ser associado um cartão de débito virtual e/ou físico. O suspeito, apurou o JN, terá aberto pelo menos três contas em nomes de pessoas distintas, incluindo no da sua avó. O homem seria, porém, o real beneficiário de todas elas. O dinheiro terá sido retirado de contas de terceiros que, pensando estar a fazer compras online, lhe forneceram os dados dos seus cartões de crédito..

"As diligências encetadas", confirma esta quarta-feira a Judiciária, "culminaram na identificação do suspeito, autor das várias ações criminosas, tendo, posteriormente, sido confirmado que o mesmo geria uma página na Internet para venda de produtos (emagrecimento e afins), utilizando esse meio para de obter dados de cartões de terceiros".

De acordo com informações recolhidas pelo JN, o suspeito seria o gestor da página "Nature Power", cujo encerramento deverá agora ser solicitado pelas autoridades. Nalguns casos, os clientes nunca terão chegado a receber o produto pago com recurso a cartão de crédito; noutros, ter-lhes-á sido entregue algo com uma composição diferente da rotulada e, por isso, potencialmente perigoso para a saúde.

Atualmente, o homem estaria a preparar a criação de mais duas empresas de fachada, mas acabou por ser apanhado pela PJ antes de o conseguir fazer. Foi detido num concelho da Margem Sul do rio Tejo, onde recentemente arrendara uma casa. Não tinha outra ocupação profissional e desde de maio de 2020 que não tem rendimentos declarados.

Em comunicado, a PJ adianta que realizou buscas domiciliárias e apreendeu vários objetos relacionados com a prática criminosa, assim como cerca de 25 registos de dados de cartões de artigos obtidos da forma acima referida.

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O detido irá ser presente a primeiro interrogatório judicial, para aplicação da medida de coação considerada adequada.

A compra de quaisquer produtos apenas em sites conhecidos, ainda que com produtos mais caros do que noutras plataformas, é, segundo as autoridades, uma das formas de acautelar eventuais burlas e subtração dos dados do cartão de crédito.

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