Regata Barcos Rabelo

Regata de Rabelos é brincadeira séria

Regata de Rabelos é brincadeira séria

Eles são os mestres da embarcação, a quem se pede que comande a equipa e concretize ao pormenor tudo o que foi preparado durante as últimas semanas, orientando a tripulação ao longo dos cerca de três mil e 500 metros da prova. É deles, portanto, a grande responsabilidade de levar, literalmente, o barco a bom porto.

Apesar deste protagonismo a bordo, ou talvez por causa disso mesmo, preferem manter a concentração antes do grande dia, deixando os foguetes de exaltação para depois da prova. É assim que o cenário pré-corrida fica traçado por António Vasconcelos, membro da Comissão Técnica da XXXII Regata dos Barcos Rabelo, que se realiza na próximo quarta-feira, a partir das 17 horas, entre o Cabedelo e a Ponte de Luís I, nas águas do Douro que banham Porto e Gaia.

"Isto não é uma competição, mas eu, que conheço todas as regatas desde o início, sei bem: todos dizem que é uma brincadeira, mas a competição existe", diz António Vasconcelos. E basta olhar para os regulamentos da regata para se perceber que esta é uma brincadeira para ser levada muito a sério: "Todas as tripulações [...] devem participar nesta manifestação com espírito desportivo. [Por isso], Deverá ser imposta à tripulação uma atitude de seriedade e sobriedade e qualquer quebra a este respeito será punida com um mergulho no rio".

Ora, quem se deslocar a uma das margens do Douro (Porto ou Gaia) vai poder constatar, seguramente, que há mínimos exigidos e devidamente inscritos nos regulamentos: cada tripulação tem de ser composta, obrigatoriamente, por um mínimo de seis tripulantes, as velas obedecem a dimensões mínimas e máximas, o comprimento dos barcos não pode exceder cinco vezes a área da vela, etc. E porque ninguém gosta de perder mesmo a feijões, "há casas que contratam antigos barqueiros" para comandar os barcos rabelo. Mas isso é segredo.

Na maior parte dos casos, os "skippers" são elementos das respetivas casas de vinho do Porto que, pela sua antiguidade e experiência, são escolhidos para liderar os barcos. Tem muita arte transformar em barco de corrida um rabelo, concebido para o transporte comercial das pipas de vinho desde o Alto Douro até às caves de Gaia. Parece fácil, mas não é. v

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