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Autarquia de Valongo vai equipar todas as escolas públicas com Salas do Futuro

Autarquia de Valongo vai equipar todas as escolas públicas com Salas do Futuro

O município de Valongo vai ser o primeiro do país a dotar todas as escolas públicas com um laboratório inovador de aprendizagem, designados Salas do Futuro. A primeira foi inaugurada na segunda-feira na Escola Básica Mirante dos Sonhos, em Ermesinde.

O primeiro passo para o ensino do futuro já foi dado em Valongo. A Câmara Municipal vai instalar nas 28 escolas da rede pública do 1.º Ciclo um laboratório inovador de aprendizagem. O novo espaço ao dispor de aluno se professores está equipado com mobiliário flexível para trabalharem, painéis interativos, impressoras 3D, kits robóticos, tablets e algumas tecnologias de ponta. Até ao final do ano letivo, o objetivo será alargar este projeto a todos os estabelecimentos de ensino até ao secundário.

"Isto é o futuro e um investimento disruptivo. Neste momento existem muito poucas salas do futuro nas escolas de Portugal, ao fazermos este investimento de um milhão de euro em todas as escolas do 1.º Ciclo, nesta fase, e até ao final do ano letivo nas secundárias e básicas que ainda não têm. Em cada uma delas vamos instalar uma sala do futuro, com o mesmo equipamento. É um investimento de mais 70 a 80 mil euros, mas ficamos com todos os níveis de ensino, desde que se entra, até que se sai para a universidade com possibilidade de terem esta oportunidade de trabalharem neste contexto de aprendizagem", salientou José Manuel Ribeiro, presidente da autarquia.

Segundo o autarca estes laboratórios "têm um imenso poder" e explica porquê: "São salas de desafio para os professores e para os alunos e têm o poder muito grande de tocar e de despertar curiosidades e dos meninos descobrirem que têm talento, que têm poder e que têm capacidade de programar um robot, de imaginarem e imprimirem uma peça 3D, de trabalharem em grupo de formas diferentes. Isto permite um corte com o método tradicional de ensino. Mas também para os professores, pois traz uma grande competitividade ao que é o ensino nas escolas públicas do concelho de Valongo".

E complementa: "É um investimento que não se vai sentir já, mas dentro de muito pouco tempo estou convencido que dará muitos frutos naquilo que são as capacidades dos meninos".

Para que as escolas possam retirar todo o potencial da tecnologia instalada serão ajudadas por duas empresas: a BCN, responsável pela instalação de todo o material, apoio técnico e das ações de formação e capacitamento dos professores, e a Bee Very Creative, vocacionada para a programação da impressora 3D. "À medida que vamos abrindo as 28 salas, vamos também trazer a equipa e ajudar a formar os professores e os meninos a utilizarem todas estas tecnologias", avançou José Manuel Ribeiro, acrescentando: "Um milhão de euros é muito dinheiro, mas quanto é que vale o brilho nos olhos de uma criança quando descobre que tem talento, que tem capacidade, que afinal vale tanto como os outros. Quanto é que isso vale? Como é que essa criança vai ser como cidadão? Isso é que é o mais importante".

Para o presidente da Câmara Municipal de Valongo, a tecnologia ao serviço da educação é inevitável. "Se é o futuro? Eu penso que sim, e nesse sentido demos um passo de gigante, mas muito trabalho virá a seguir. A parte mais difícil é agora: retirar valor, explorar estas potencialidades, envolver todos os meninos e os professores, interessar os pais e perceber o que está aqui em causa", assinala o edil, finalizando: "No dia 17 completo seis anos exatos de presidência e esta é aquela medida que me toca. Sei o que é a importância da educação. Sou filho de gente humilde, com a quarta classe, pais extraordinários, mas quando queria ler tinha de ir para a biblioteca pública, tinha de ir para a Calouste Gulbenkian e na escola percebi que havia asas. E é na escola que se joga o futuro".

Mais-valia para alunos e professores

Virada para o futuro está também Neuza Pinto, professora titular do 4.º Ano na Mirante de Sonhos, em Ermesinde, uma das responsáveis pela Sala do Futuro na escola. "Este projeto veio trazer à prática letiva, à metodologia, uma outra visão. Uma visão já muito espera por alguns professores, e digo por alguns porque temos uma população docente um pouco envelhecida, mas que estão a fazer um esforço para se adaptarem às novas tecnologias e tornar as suas práticas muito mais motivadoras para os alunos e para o próprio professor", refere a docente, anotando que "não chega na escola só oferecer manuais escolares a uma criança que trabalha com as tecnologias, que mexe em tablets e telemóveis em casa".

"Temos de agradecer pela existência destas salas, pois, certamente, serão uma mais-valia para todos nós", frisa Neuza Pinto, salientando que o futuro será este "a curto, médio ou longo prazo". "Para darmos respostas às necessidades dos alunos atuais e do futuro, temos de acompanhar a evolução das tecnologias, pois de outra forma não teremos alunos interessados e com capacidade de desenvolver as suas apetências, não só a nível cognitivo, mas também pessoal", avança a professora.

A Sala do Futuro na escola Mirante dos Sonhos ainda está em fase experimental, mas as oito turmas do 1.º Ciclo e as duas do pré-escolar terão acesso a ela mediante a requisição dos professores. "Escolhe uma data e uma hora para utilizar a sala, mas antes de chegarmos a esse ponto todos os professores vão ter uma formação no agrupamento, para poderem aprender a lidar com estas tecnologias e ficarem capacitados para utilizarem estes materiais e softwares e assim poderem por em prática os conhecimentos. Vai ter aqui uma sessão por semana de um técnico que vem apoiar. Está tudo apontado para que seja um processo gradual, mas consistente", explica Neuza Pinto.

Os principais visados deste projeto - as crianças - não poderia ter ficado mais entusiasmadas com o acesso a todos os novos equipamentos, em especial com a impressora 3D. "Os meus alunos já trabalham com quadros interativos, mas foi a loucura e o delírio, porque as crianças por natureza gostam de montar e desmontar coisas e de mexer", contou a docente, completando: "No fundo são aulas muito mais práticas e muito mais interativas, no sentido da própria criança descobrir o conhecimento e não a ser o professor a impor aquilo que quer ensinar. Vemos uma outra vertente do ensino que é levar as crianças à autonomia e eles próprios irem à procura daquilo que querem aprender".

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