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Paróquia de Cortegaça ameaça José Malhoa com processo por "profanação"

Paróquia de Cortegaça ameaça José Malhoa com processo por "profanação"

Cantor filmou videoclipe "Ela queria 3" no interior e exterior da igreja à revelia. Responsáveis dizem que houve "violação do espaço religioso". Diocese questiona.

A paróquia de Cortegaça, em Ovar, vai agir judicialmente contra o cantor José Malhoa por ter gravado "sem autorização" da igreja o videoclipe promocional da música "Ela queria 3". Em comunicado publicado nas redes sociais, a instituição manifesta a indignação pela forma "espalhafatosa" como o artista e a sua equipa de produção usaram a Igreja Matriz de Cortegaça.

"Atingindo maior gravidade, aquilo que consideramos mesmo uma profanação do espaço interior da nossa igreja, ao utilizar um lugar sagrado, para um uso satírico e imoral, desrespeitando toda uma comunidade que tem na Igreja de Cortegaça a sua referência e identidade", lê-se no texto.

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Para o pároco local, Manuel Dias da Silva, as filmagens realizaram-se no dia 18 de julho e são "vergonhosas e surreais". "Ofendem a igreja, o padre e os paroquianos", disse ao JN.

Cantor nega ofensa

"Não há nenhum tipo de ofensa e, com o vídeo, estamos a fazer uma enorme publicidade gratuita à igreja e à localidade", referiu José Malhoa, acrescentando que a canção até fala em "ave-maria e outros temas religiosos". Sobre quem terá dado autorização para filmar dentro do templo, limita-se a afirmar que "alguém deu". "Não arrombamos a porta para entrar nem assaltamos a igreja", frisou.

O mal-estar causado pelas filmagens no altar e num confessionário levou o cónego António Coelho de Oliveira, vigário-geral da diocese do Porto, a telefonar ao pároco de Cortegaça para saber "se estava tudo bem".

De acordo com Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar, a Autarquia apenas deu autorização para que fossem realizadas gravações no adro.

"No final do videoclipe, aparece um agradecimento à Câmara, mas tem de ser retirado porque não há nada para agradecer. Apenas cumprimos a lei e autorizamos a gravação no exterior da igreja", explicou o autarca. "Dentro da igreja não mandamos nada. Não autorizamos nem poderíamos autorizar nada", referiu ainda.

Aproveitaram a boa-fé

A entrada no templo, ao que tudo indica, ter-se-á feito depois de um membro do staff de Malhoa ter pedido a um colaborador da paróquia para abrir a porta.

"O voluntário abriu a porta, como faz aos turistas, e foi trabalhar", explicou o pároco local. "Parece que se aproveitaram da boa-fé para gravar e filmar", finalizou o padre Manuel Dias da Silva.

Azulejos
É a beleza dos azulejos que atrai turistas de todo o Mundo para ver a igreja de Santa Marinha de Cortegaça. Considerado um conjunto de interesse público em 2013, foi construída entre 1910 e 1918. A fachada que se impõe pela altura é acompanhada por duas torres sineiras e foi inteiramente revestida a azulejos entre os anos 1921 e 1923. A presente classificação inclui também os jazigos do cemitério velho.

Visitas
A igreja apenas está aberta nos dias e na hora em que há celebrações. Pode ser visitada por marcação junto dos serviços paroquiais.

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