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Paços esperou 35 anos para poder trocar dois "esses" por cedilha

Paços esperou 35 anos para poder trocar dois "esses" por cedilha

A dúvida esteve sempre instalada, até mesmo entre os locais. Afinal, o nome da freguesia de Fafe é Passos ou Paços? Dúvida desfeita por decreto.

A Assembleia da República, por proposta da deputada fafense Clara Marques Mendes, aprovou na terça-feira a designação oficial, que, agora sem confusão, passa a designar-se oficialmente Paços.

"Foi o culminar de um processo que começou há 35 anos e que termina com as dúvidas quanto à forma como se deve escrever o nome da freguesia", sorri Joaquim Barbosa, autarca local. Mesmo no seio das instituições da freguesia, a designação era como melhor aprouvesse a quem escrevia. "Pelos registos históricos, tínhamos conhecimento que até aos séculos XV e XVI era com "ç", mas a partir do século XVIII havia escritos com "ss". Nos registos da Igreja, sempre foi com "ç", nas questões administrativas surgia com "ss"", recorda o presidente da Junta. Em 1984, a Sociedade da Língua Portuguesa esclareceu que se escrevia com "ç" e "o processo foi despoletado nessa altura, não era consensual, houve uma tentativa, junto da Assembleia da República, mas o processo não andou".

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Promessa cumprida

A cumprir o primeiro mandato, Joaquim Barbosa tinha essa promessa para cumprir, até para terminar "com a confusão que reinava", e conta: "Quando tentávamos fazer sinalética, vinha sempre a dúvida e, oficialmente, não tínhamos nada que nos obrigasse a escrever com "ç". Alguns documentos da junta saíam com "ss" e com "ç". As crianças na escola aprendiam com "ç", as pessoas de mais idade escrevem com "ss" mas penso que agora é pacífico. As próprias coletividades e a Igreja escrevem com "ç" e assim fica uniformizado", assume.

Em breve, será lançada uma brochura para contar toda a história de Paços, com "ç" e... com "ss".

Exceção abre-se em homenagem a Camilo

Quando andava fugido às autoridades, depois de cometer o crime de adultério com Ana Plácido, Camilo Castelo Branco esteve escondido na casa do amigo José Cardoso Vieira de Castro, em Paços. Essa estada na Casa do Ermo, em 1860, é motivo de orgulho para os locais e, nos últimos anos, tem sido desenvolvida a iniciativa cultural "Camilo em Passos". "Vamos manter os "ss" porque significa realmente a passagem pela freguesia. No livro "Memórias do Cárcere", fez referências à passagem por Paços e é a partir daí que desenvolvemos estas ideias e queremos dinamizar culturalmente a freguesia", explicou Joaquim Barbosa.

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