
Escola EB 2/3 de São Torcato, Guimarães
Miguel Pereira/Global Imagens
Um aluno da EB 2,3 de São Torcato, em Guimarães, envolveu-se numa cena de pancadaria com um professor devido a uma apreensão de droga por parte do docente.
Fonte próxima da comunidade escolar diz que o aluno, de 15 anos, foi tirar satisfações com o professor, que lhe apreendeu uma pequena quantidade de haxixe, mas o estudante contrapõe que foi o docente que o fechou e agrediu dentro de uma sala, depois de lhe ter tirado o estupefaciente.
Tudo aconteceu no passado dia 13, quando o aluno estava a fumar tabaco no recinto escolar e foi abordado pelo professor. Até aqui, as versões coincidem. Depois, segundo fonte próxima da escola, o docente apreendeu uma pequena quantidade de haxixe ao estudante e a situação ficou sanada. Mais tarde, o aluno foi tirar satisfações com o professor e a situação descambou. "O rapaz exigiu que lhe devolvesse a droga, com uma atitude agressiva, e atirou-se a ele", contou outro professor ao JN.
Já a versão do aluno é diferente. Às pessoas que lhe são próximas, o estudante confirma que estava a fumar no recinto escolar e que o professor o abordou. Primeiro, revistou-o, encontrou-lhe a droga e levou-o até uma sala fechada, onde o agrediu. Para o provar, o estudante mostra as marcas da agressão de que diz ter sido alvo, alegadamente com socos desferidos pelo docente. Qual a versão correta é o que a GNR está a investigar, sendo certo que apenas existe uma queixa por ameaça, feita no próprio dia pela direção da EB 2,3 de São Torcato.
Tema tabu
Ontem, na escola, a zaragata entre o professor e o aluno era tema tabu. Nas imediações do recinto escolar eram poucos os que sabiam do episódio e os próprios alunos tinham versões diferentes para os acontecimentos.
Quanto aos funcionários e docentes, a ordem era para não falarem até ao processo de averiguações estar concluído, e oficialmente as explicações são poucas. O diretor da escola apenas confirma "a existência de um processo interno de averiguações", sendo que o aluno em causa "está suspenso". Já o Lar de Santa Estefânia, responsável pela guarda do menor, que está institucionalizado, assegura que também está a apurar o que se passou e vai agir em conformidade. "Estamos a averiguar, e se concluirmos que há culpas da parte da escola ou do professor, vamos apresentar queixa", disse Fernando Alves Pinto, presidente da direção do lar.
Fonte do Comando de Braga da GNR confirmou ao JN a existência de um "episódio ocorrido na EB 2,3 de São Torcato" que culminou "na apresentação de queixa por ameaça", sendo que o caso seguiu para inquérito e está a ser investigado, não sendo de excluir a existência de outros crimes.
Pormenores
Institucionalizado - O aluno está institucionalizado no Lar de Santa Estefânia há menos de meio ano, proveniente de Braga. São-lhe conhecidos hábitos de consumo de haxixe e episódios de delinquência, que não se têm verificado, contudo, na instituição vimaranense.
Reuniões - Quando se trata de menores institucionalizados, o encarregado de educação é o responsável da instituição. No caso, um diretor do Lar de Santa Estefânia já reuniu com o professor em causa, o diretor de turma, o diretor da escola e o aluno.
Estudante de cozinha - O rapaz é estudante do primeiro ano de cozinha, na modalidade de curso de Educação e Formação de Jovens, equivalente ao sétimo ano de escolaridade.
GNR foi chamada pela direção - O alerta para a GNR foi dado pela direção da escola. O jipe da GNR de São Torcato esteve cerca de uma hora no parque de estacionamento do estabelecimento, causando curiosidade e perplexidade aos que não sabiam, até então, o que se tinha passado.
Participação por ameaça - A GNR recebeu apenas uma participação por ameaça, assegurando não ter indicação de episódios relacionados com droga. O diretor da escola diz que prestou todos os elementos à GNR, mas escusa-se a responder a mais questões, aludindo ao processo de averiguação.
