Tradição

Covid muda mas não pára as Festas dos Rapazes em Vinhais

Covid muda mas não pára as Festas dos Rapazes em Vinhais

Nem a covid-19 vai conseguir suspender ou adiar as Festas dos Rapazes, uma tradição das aldeias da Terra Fria Transmontana, associada à careta (máscara) e aos mascarados, embora não se realize em algumas localidades por causa da pandemia.

Este legado ancestral enraizado na cultura popular de concelhos como Bragança, Vinhais, Miranda do Douro e Mogadouro vai reinventar-se em 2020 na aldeia de Ousilhão, no concelho de Vinhais, porque não há Natal sem caretos ou mascarados. Ainda que seja de uma forma simbólica, as máscaras vão sair à rua. "Espontaneamente vão surgir, não há quem possa controlar isso porque antes de haver governo já havia mascarado", garantiu Luís Meirinho, da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Ousilhão, ao JN.

Em Ousilhão a Festa dos Rapazes é a maior do ano, aquela em que todos se juntam e que atrai muitos dos que estão na diáspora, por se manter genuína.

A irreverência é uma das marcas dos jovens que se mascaram, pelo que um ou outro vai voltar à rua com as suas tropelias. "Vamos fazer alguma coisa para o mascarado sair à rua nos dias 24, 25 e 26 de dezembro, claro que não será como nos anos anteriores pois temos que garantir as normas de segurança e proteção, como o distanciamento social, contra a covid-19. Não vamos entrar às casas dos habitantes e vamos proteger os nossos", destacou Luís Meirinho.

A Associação já decidiu não cumprir o habitual programa de festas, cancelando a Galhofa, a ronda pelas casas e o baile, mas está prometido que os gaiteiros façam uma aparição e que alguns mascarados vistam o fato, ponham a careta e voltem a saltar na rua para cumprir tradição. "Sempre com todas as regras de prevenção sanitárias, mas gostávamos de marcar a data porque nós vivemos 363 dias a pensar nas festas do Natal", garantiu o dirigente associativo.

Em Aveleda, no concelho de Bragança, a Associação de Caretos ainda não decidiu se haverá algum momento simbólico, mas uma fonte adiantou que o sentimento geral é de não realizar as iniciativas associadas às Festas dos Rapazes "por causa da situação pandémica, tanto mais que aqui na aldeia houve mortes associadas ao coronavírus". A Associação já não fez a Lenha das Almas, a 1 de novembro, altura em que se começa a preparar as festas ligadas aos caretos, angariando o dinheiro necessário.

O presidente da União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor, Mário Gomes, afirmou que ainda não falou com as associações de caretos da freguesia, mas considera que não se podem quebrar as regras da Direção-Geral da Saúde e que, a haver qualquer festejo, teria de ser meramente simbólico e pontual.

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Em Salsas, no concelho de Bragança, não se vão festejar os Reis, um dos eventos que todos os anos junta mais de uma dezena de grupos de mascarados e caretos de Portugal e Espanha, que desfilam pelas ruas onde centenas de pessoas os aguardam. "Não há condições, uma vez que tudo indica que na passagem de ano haverá muitas restrições, certamente essas medidas vão abranger os Reis. Se o Boletim Sanitário do concelho melhorar muito talvez se faça qualquer coisa simbólica, mas só com o grupo da Associação dos Caretos de Salsas e algum convidado", referiu Filipe Caldas, em nome da associação.

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