Covilhã

Paredes da Covilhã transformadas em Arte Urbana

Paredes da Covilhã transformadas em Arte Urbana

Paredes e muros abandonados da Covilhã vão ser pintados e esculpidos por alguns nomes consagrados da arte urbana. JR, VHILS, Btoy ou ARM Collective assinam obras de pintura e escultura em várias capitais e, a partir de sexta-feira, deixam a sua marca na Covilhã.

As intervenções nos espaços da cidade fazem parte do Wool - Festival de Arte Urbana da Covilhã e arrancam com a pintura criativa de um edifício devoluto junto à Igreja de Santa Maria. Esta intervenção, no centro histórico da cidade, fica a cargo dos ARM Collective.

Até à próxima terça-feira, os artistas do grupo criar a sua arte "inspirada em graffiti" nas parede exterior do imóvel, explicou à Lusa um dos organizadores, Pedro Rodrigues, que espera que a população acompanhe o evoluir da obra de arte.

De 21 a 26 de Novembro será a vez de VHILS (designação artística do português Alexandre Farto) "esculpir figuras" numa outra parede a escolher na cidade.

O português tem obras espalhadas pelo mundo. Em vez de pintar, recorre ao martelo e cinzel para dar forma a figuras criando diferentes relevos e texturas na superfície escolhida.

Segue-se Btoy, artista urbana de Barcelona, Espanha, "dedicada à arte com stencyl", que vai estar em acção na Covilhã de 7 a 13 de Novembro e que vai ainda orientar uma oficina de arte em mural.

O último trabalho, realizado em Dezembro, "vai decorar paredes de antigas fábricas de lanifícios da cidade com os retratos de pessoas que ali trabalharam", destacou Pedro Rodrigues. Trata-se de um trabalho inserido no "Inside Out Project" coordenado pelo artista urbano francês JR e pelas conferências internacionais "Tecnologia, Entretenimento e Design" (TED) e que "vai implicar alguns encontros com os antigos operários para conhecer a realidade em que viveram".

Todas as iniciativas contam com actividades paralelas de debate ou interacção com os artistas, que vão visitar a cidade antes de começar os seus trabalhos.

Na prática, "nunca se sabe qual vai ser o resultado final do trabalho artístico: sabemos qual o estilo e conhecemos os trabalhos já feitos por cada um". O resto nasce da inspiração na cidade e nos locais, que também são escolhidos "por forma a tentar criar um roteiro de arte urbana" que acompanhe pontos de interesse da cidade.

O Festival de Arte Urbana da Covilhã "chama-se Wool [palavra para lã em inglês] para remeter para a história dos lanifícios da Covilhã e ao mesmo tempo para wall [parede em inglês]".

A iniciativa é organizada por um grupo de habitantes locais que a viu aprovada e com apoios da Direcção-Geral das Artes. O grupo, de idades entre os 32 e 34 anos, deu corpo ao festival através da firma Formas Efémeras, em parceria com a Câmara da Covilhã.

A organização espera que o Wool seja o ponto de partida para "mais intervenções" noutros espaços abandonados que existem pela cidade. O festival deverá ter continuidade em 2012.