Borba

Dois mortos e vários desaparecidos em desabamento de estrada em Borba

Dois mortos e vários desaparecidos em desabamento de estrada em Borba

Um troço da estrada que liga Vila Viçosa a Borba desapareceu, esta segunda-feira, num deslizamento de terras de uma pedreira. A Proteção Civil confirma dois mortos e várias pessoas submersas.

"Às 15.45 horas" ocorreu o "deslizamento de um grande volume de terra" na estrada 255, que provocou "a deslocação de uma quantidade muito significativa de rochas, de blocos de mármore e de terra para o interior de uma pedreira", a A.L.A de Almeida, relatou o Comandante Distrital de Operações de Socorro de Évora, José Ribeiro, numa conferência de imprensa, ao início da noite, no quartel dos bombeiros de Borba.

A mesma fonte confirmou que "dois operários da empresa que explora aquela pedreira foram arrastados", sendo estas as duas vítimas mortais que é possível confirmar. Citando relatos, o comandante avança que terão sido arrastadas duas viaturas com um número desconhecido de ocupantes. Uma retroescavadora, que seria de uma empresa que opera numa das pedreiras da zona, também foi arrastada, tendo já sido localizada pelas autoridades.

Operações de busca podem durar semanas

O responsável distrital da Proteção Civil considerou que o resgate das vítimas constitui uma operação "de grande complexidade". "Eu diria de complexidade extrema. Estamos perante um desafio tremendo daquilo que são as operações de resgate que nos esperam nas próximas horas, nos próximos dias e, provavelmente, nas próximas semanas", assinalou, referindo que não pode, para já, indicar o tempo que as operações vão demorar: "Serão muito morosas, muito delicadas".

"Cada decisão e cada ação terá de ser bem acautelada e terá de ser ponderada e validada, sob pena de a todo o momento pormos em risco os próprios operacionais que estão no terreno", sublinhou José Ribeiro.

No total, foram mobilizados 84 operacionais e 39 veículos de várias entidades. O trânsito está cortado logo à entrada de Borba.

Ao JN, o Major José Vieira, da GNR de Évora, adiantou que a extensão do desabamento é de 100 metros e que as autoridades estão a ter dificuldades devido aos "desabamentos que continuam a ocorrer junto à pedreira".

"Estou de consciência tranquila", diz autarca

"Lamentavelmente e tragicamente há mortos. Quantos? Não podemos dizer", disse António Anselmo, presidente da Câmara Municipal de Borba, em declarações à agência Lusa, sublinhando que aguarda informações por parte das autoridades sobre o número de vítimas mortais.

Assumindo que se trata de um "dia triste" para o concelho de Borba, no distrito de Évora, António Anselmo afirmou que espera que sejam apuradas as causas do aluimento de terras. "Vamos ver o que é que se passou exatamente e agir de acordo com o necessário", disse o autarca, eleito por um movimento independente.

Questionado sobre se existiam indícios de que a situação pudesse vir a ocorrer naquela estrada, António Anselmo rejeitou tratar-se de uma "tragédia anunciada". "Eu penso que não, nunca na vida. É uma tragédia, é um acidente", afirmou. "Estou de consciência tranquila", rematou.

O secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, disse, por sua vez, que as causas do deslizamento de terras vão ser investigadas, mas que agora "é o momento do socorro". O governante, que transmitiu em nome do Governo as condolências e "uma palavra de conforto às famílias das vítimas, à câmara e à população" do concelho, garantiu que "estão mobilizados todos os meios necessários para, com toda a segurança, resgatar as vítimas". Enquanto isso, uma equipa de apoio psicossocial do INEM está a apoiar as famílias das vítimas.

Ordem dos Engenheiros alerta: "Situação estava identificada"

"Infelizmente tenho de mostrar alguma estupefação sobre o que aconteceu e como foi possível acontecer. Era uma situação que estava identificada pelo menos há quatro anos, já tinha sido equacionada a possibilidade de encerrar a estrada", disse Mineiro Aires em declarações à agência Lusa. O bastonário defendeu que se tratou de "uma situação de elevado risco" em que se "descurou a situação existente e acabou numa catástrofe".

"Estranho muito como é que uma exploração de uma pedreira chega junto à estrada, pois não existe ali uma margem de segurança ou uma faixa, que seria altamente recomendável. É uma estrada com precipícios de um lado e de outro", apontou.

Infraestruturas de Portugal garante que estrada é gerida desde 2005 por municípios

A Infraestruturas de Portugal esclareceu que a estrada onde ocorreu um aluimento de terras em Borba foi transferida em 2005 para "a jurisdição dos municípios" de Borba e de Vila Viçosa, pelo que "já não é uma estrada nacional", mas não sabe precisar a atual designação da mesma.