Polémica

Cavalos leiloados a dez euros pela Câmara de Lagos

Cavalos leiloados a dez euros pela Câmara de Lagos

A Câmara Municipal de Lagos está a promover uma hasta pública de 12 cavalos, com uma base de licitação de dez euros cada.

O baixo preço está a indignar um grupo de cidadãos que tem lutado pela proteção dos equídeos e que receia que, neste caso, o destino dos animais seja um matadouro ilegal ou a escravidão.

"Independentemente de ser legal ou não, a Câmara está a vender os animais a um preço mais baixo que o bife da vazia. Isto significa que o mais provável é no dia seguinte irem para abate e venda em algum matadouro ilegal ou parar às mãos de gente sem escrúpulos", alerta Patrícia Pereira, tratadora de cavalos e porta-voz do grupo.

A preocupação é ainda maior uma vez que, realça, "o Algarve historicamente é uma zona onde se verificam casos gravíssimos de abuso". São aliás várias as denúncias públicas de cavalos nas cidades da região completamente subnutridos e com evidência de maus tratos continuados.

A tratadora disse ainda que o grupo enviou uma reclamação à Câmara de Lagos, mas não obteve qualquer resposta. Acrescentou que, entre os 12 animais, que, segundo o edital a que o JN teve acesso, deverão ser vendidos em hasta pública na próxima terça-feira, conta-se uma égua que teve um poldro nos últimos dias.

Patrícia Pereira considera, por isso, o valor de licitação proposto uma ação "vergonhosa e de falta de respeito enorme pela dignidade destes animais promovida por uma autarquia". E nem o facto de o edital onde é comunicada a hasta pública ser acompanhado de um manual de procedimentos sossega os amigos dos animais.

"As pessoas podem fazer prova de terem espaço para albergar os animais, mas, ao adquirirem-nos por este preço, podem perfeitamente vendê-los no dia a seguir a gente sem escrúpulos", destaca.

Como exemplo dos maus tratos que receia, a representante do grupo cívico refere um caso recente de uma égua "pele e osso" ter sido apanhada a puxar uma carroça de duas toneladas, a 15 dias de parir. "Os animais são explorados brutalmente até morrerem de exaustão", observa, considerando que "as probabilidades destes virem a cair nas mãos erradas são enormes".

"Vender cavalos a dez euros em hasta pública, é, no mínimo, deplorável, principalmente, tratando-se de um país onde os casos de maus tratos a equídeos são crescentes, gritantes e bárbaros, especialmente na zona do Algarve", conclui a porta-voz do grupo.

O JN tentou contactar a Câmara de Lagos esta quarta-feira, mas não obteve resposta.

ver mais vídeos