Incêndios

Fortes reativações em todo o perímetro do fogo em Monchique

Fortes reativações em todo o perímetro do fogo em Monchique

Em todo o perímetro do incêndio de Monchique estão a ser registadas "fortes reativações" que, associadas à intensidade do vento, estão a tomar grandes proporções, de acordo com um ponto de situação da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Foram mobilizados para o combate às chamas um total de 1157 operacionais, apoiados por 358 viaturas e 13 meios aéreos.

Ainda de acordo com a informação disponível no 'site', foram acionados "três aviões Canadair espanhóis", embora a Lusa não tenha conseguido confirmar se esses meios estão efetivamente a operar. A Secretaria de Estado da Proteção Civil anunciou hoje ao início da tarde que Espanha disponibilizou dois Canadair.

Mais de vinte feridos

Vinte e cinco pessoas ficaram com ferimentos ligeiros durante a noite de domingo no incêndio no concelho de Monchique que já obrigou a evacuar diversas localidades e, pelo menos, uma unidade hoteleira. Cerca de 95% do terreno que ardia já se encontra sem chamas ativas. Os meios aéreos com dificuldades em operar devido ao fumo.

Em declarações à agência Lusa, fonte da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) disse que um dos feridos, uma mulher de 72 anos, estava em estado grave e teve de ser transportada de helicóptero para o Hospital de S. José, em Lisboa.

Desde o início do incêndio, já houve 44 pessoas assistidas, 31 das quais agentes da Proteção Civil e 13 civis, de acordo com o segundo comandante operacional distrital de Faro, Abel Gomes.

Às 12 horas, o incêndio que pelo quarto dia lavra em Monchique estava a ser combatido por 1160 operacionais, apoiados por 357 viaturas.

O presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Faro, Jorge Botelho referiu, em conferência de imprensa, que a área ardida ronda os 15 mil e os 20 mil hectares. Vaz Pinto sublinhou que, durante a madrugada desta quinta-feira, "foi possível debelar e extinguir uma frente de fogo superior a 13 quilómetros só com recurso a operacionais no terreno e a máquinas de rasto".

Ao início da tarde, já 95% do terreno que ardia estava sem chamas ativas. O comandante distrital de operações de socorro, Vítor Vaz Pinto, esclareceu que há, no entanto, "alguns pontos quentes que merecem preocupação".

O comandante operacional afirmou que os 5% ainda ativos "estão em áreas inacessíveis a meios terrestres", mas não especificou a zona geográfica por não estar na área de operações.

"O facto de não conseguirmos operar com meios aéreos dificulta que nas áreas em que não há acessos terrestres possamos garantir que não vai haver ali reativações fortes", acrescentou.

O combate às chamas está, contudo, a ser dificultado pelo fumo, que impediu empenhar, logo pela manhã, a atuação dos meios aéreos. Estes só conseguirão operar em segurança quando o fumo se dissipar.

A partir das 12 horas as condições de combate às chamas podem ser dificultadas devido ao agravamento das condições meteorológicas, prevendo-se um aumento da intensidade do vento em direção a São Marcos da Serra.

Este incêndio deflagrou cerca das 13.30 horas de sexta-feira, em Perna da Negra, no concelho de Monchique.

Foi evacuada uma unidade hoteleira nas proximidades

Uma unidade hoteleira foi evacuada com os hóspedes a ser distribuídos por outros hotéis.

De acordo com um funcionário do Macdonald Monchique Resort & Spa disse à Lusa, a ocupação estava a 70%.

"Como é possível dormir com um cenário destes? Não dá", conta indignado Celso Francisco, enquanto olha desolado para a clareira que se vislumbra do miradouro de Monchique.

Com ele, mais uma dezena de populares, recusa-se a arredar pé: "Mais à frente fica a vivenda do meu filho. Nem quero imaginar se o fogo chega lá", diz com voz trémula e angustiada outra moradora.

Entretanto, os habitantes que foram retirados de algumas aldeias ameaçadas pelas chamas pernoitaram numa escola de Monchique, com condições criadas pela Câmara Municipal para os albergar em segurança.

Situação é "muito mais favorável" mas continua "sensível"

A situação do fogo que pelo quarto dia lavra na serra de Monchique é na manhã desta segunda-feira "muito mais favorável", mas continua "muito sensível", com vários "pontos quentes" a causar preocupação às forças de socorro e segurança.

De acordo com o segundo comandante operacional distrital de Faro, Abel Gomes, que fazia um balanço perto das 10 horas, "neste momento, a situação é muito mais favorável do que foi durante a noite", mas mantêm-se "situações que são sensíveis e merecem preocupação", havendo uma limitação no que respeita à atuação de meios aéreos, que não conseguem operar devido ao fumo intenso.

O flanco direito do incêndio está agora a progredir para as Caldas de Monchique e o flanco esquerdo na direção de São Marcos da Serra, sendo que parte da cabeça do incêndio progride em direção a sul, à Estrada Nacional (EN) 124, com "várias projeções em direção às Caldas de Monchique e ao Barranco do Barreiro, que provocaram muitas situações complicadas".

Segundo Abel Gomes, que falava na escola onde estão os habitantes retirados das suas casas, após ter passado a "situação de emergência" que se viveu ao final do dia de domingo foi possível realizar um trabalho de "grande intensidade" que durante toda a noite empenhou todos os operacionais presentes no terreno.

Na outra frente de fogo, que segue na direção das Caldas de Monchique, a situação "ainda é muito crítica" e "sensível", estando os meios de combate já preposicionados, faltando o apoio aéreo.

O responsável acrescentou ainda não ter confirmação de casas de habitação permanente ardidas, havendo apenas informação de algum edificado afetado, que não conseguiu precisar se são habitações, estruturas de apoio agrícola ou edifícios devolutos.

Combate vai ser reforçado com dois aviões Canadair de Espanha

O combate às chamas em Monchique vai ser reforçado com dois aviões Canadair disponibilizados pelo Governo espanhol, que poderão começar a atuar já durante a tarde, disse esta segunda-feira o secretário de Estado da Proteção Civil.

"Neste momento, o Governo espanhol já disponibilizou dois Canadair. Caso haja condições de atuar, hoje mesmo à tarde, provavelmente, já cá teremos os dois", adiantou Artur Neves aos jornalistas, durante um balanço da situação do incêndio, perto das 10 horas.

Prevê-se que os meios aéreos comecem a atuar logo que o fumo se dissipe, segundo Abel Gomes.

A falta de visibilidade também dificultou a avaliação das áreas afetadas pelo fogo por parte das autoridades, que ao início da manhã realizaram um voo de reconhecimento sobre a serra de Monchique. "O reconhecimento aéreo não nos permitiu ver muito aquilo que nós, em pormenor, queríamos ver, porque o fumo não permitia. Fizemos um reconhecimento muito mais alargado do que aquilo que era o objetivo, em termos de distância", sublinhou.

Questionado pelos jornalistas sobre a defesa das habitações perante o avanço do fogo, Artur Neves disse que a proteção junto às casas foi feita, admitindo que algumas poderão ter sido afetadas e sublinhando que a prioridade é a proteção da vida das pessoas. "Poderá ter acontecido [habitações afetadas pelo fogo], mas a remoção das pessoas, a proteção da sua vida era a matriz principal da orientação que tinha sido dada", referiu.

O governante enalteceu o empenho de todas as estruturas de Proteção Civil e restantes autoridades, que conseguiram "ir de casa a casa procurando remover de forma atempada os cidadãos que pudessem correr riscos".

Comissão Distrital de Proteção Civil de Faro tem "confiança no sistema e nos homens"

Em conferência de imprensa, ao início da tarde desta segunda-feira, Jorge Botelho, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Faro, garantiu ter "confiança no sistema e nos homens", sublinhando que o "Algarve continua a ser um destino turístico".

Jorge Botelho assegurou que as autoridades estão "a trabalhar para que a normalidade possa ser reposta nas condições possíveis" em relação às pessoas que foram retiradas de suas casas e colocadas em espaços provisórios.

Os técnicos de Segurança Social, sublinhou, estão "em permanência desde o primeiro dia no terreno" e, entretanto, chegou "um reforço" de assistentes sociais e psicólogos, oriundos do distrito de Setúbal.

Presidente da República diz que não irá visitar o terreno, para já

Durante a manhã desta segunda-feira, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, falou aos jornalistas sobre o incêndio em Monchique, dizendo que, para já, não deverá visitar as populações afetadas pelas chamas "para não perturbar as operações", uma vez que referiu que foi acusado de o ter feito no caso de Pedrógão Grande. No entanto, garantiu que está a acompanhar a situação.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu também que os meios estão a ser reforçados e os meios terrestres renovados. Alguns meios aéreos são provenientes de Espanha.

Sobre os feridos, o presidente referiu que a maior parte são bombeiros, devido ao cansaço e à exposição às chamas.

"Genericamente, isto não tem comparação com 2017", referiu Marcelo Rebelo de Sousa. Para o presidente, a resposta a este incêndio em Monchique foi "correta", uma vez que "desde a primeira hora se fez o que era preciso". Os meios foram "muito intensos" e houve uma "preservação das populações", disse.

Marcelo acredita que dentro de "um, dois dias" a a situação neste concelho de Faro deverá estar resolvida.

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