Incêndio

Fogo que deflagrou em Monchique "globalmente estabilizado"

Fogo que deflagrou em Monchique "globalmente estabilizado"

O incêndio que deflagrou na sexta-feira em Monchique, no Algarve, está "globalmente estabilizado", informou esta quinta-feira, ao início da noite, a 2.ª comandante operacional nacional da Proteção Civil, Patrícia Gaspar.

A Proteção Civil atualizou para 39 o número de feridos ligeiros resultantes do incêndio de Monchique, no Algarve, dos quais 21 são bombeiros, registando-se ainda um ferido grave (uma idosa internada em Lisboa).

Os dados foram avançados pela 2.ª comandante da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), Patrícia Gaspar, durante uma conferência de imprensa na escola secundária de Monchique.

A responsável da ANPC revelou também que começou hoje a ser preparado o regresso a casa das 299 pessoas deslocadas das suas habitações dos concelhos de Monchique, Portimão e de Silves, operação que decorre conjuntamente com a Segurança Social, a Cruz Vermelha, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e as autarquias.

"Houve pessoas que espontaneamente já regressaram às suas habitações e aquilo que nós queremos garantir é que este regresso se faça de forma ordeira e, sobretudo, em segurança. Temos de evitar precipitações", afirmou Patrícia Gaspar.

De acordo com a responsável, no concelho de Silves, a zona de apoio à população já foi desativada, em Portimão está em processo de desmontagem, e neste último caso a maioria das pessoas são oriundas do concelho de Monchique.

"Depois do árduo trabalho durante toda a tarde desta quinta-feira, temos, neste momento, um cenário que eu diria que está globalmente estabilizado", afirmou Patrícia Gaspar, que fazia o ponto de situação operacional sobre o incêndio que afeta o barlavento algarvio, pouco depois das 20 horas.

Questionada pela agência Lusa, Patrícia Gaspar esclareceu que "o incêndio não está dado como dominado" e "está neste momento ainda ativo".

A 2.ª comandante operacional nacional da Proteção Civil referiu que não há frentes de fogo.

"Mas há ainda partes deste perímetro onde temos incêndio ativo e é por isso que o incêndio ainda não é dado como dominado. Essa decisão [de declarar dominado] é uma decisão que será tomada no momento em que tenhamos todas as condições reunidas para o efeito", afirmou.

Segundo a responsável, já há várias áreas do perímetro do incêndio "com operações de monitorização, de vigilância e de consolidação de rescaldo", havendo, porém, "ainda alguns pontos quentes, não só no perímetro, mas também na área propriamente do incêndio".

Hoje, verificaram-se "várias reativações", informou, sublinhando o apoio do avião de monitorização, que teve um papel "absolutamente imprescindível" na identificação precoce de vários pontos quentes.

Para a noite, a expectativa é a de que a temperatura continue a baixar, acompanhada por um aumento da humidade relativa, que "poderá chegar até aos 80%", e de um desagravamento da velocidade do vento, que deverá ser inferior a 15 quilómetros por hora.

Apesar das condições favoráveis, o risco de incêndio para sexta-feira "continua elevado" na região, constatou Patrícia Gaspar, frisando que é necessário ter um "cuidado redobrado com tudo o que vai acontecer durante a noite".

"Vamos manter todos os meios no teatro de operações, todos os meios em vigilância, apoiados pelas máquinas de rasto", acrescentou, referindo que esta maquinaria pesada tem um "papel absolutamente preponderante" neste tipo de operações.

Nesse sentido, será dedicada "toda a atenção" durante o período noturno, por forma a que se possa "consolidar o trabalho árduo feito durante o dia", salientou a 2.ª comandante operacional nacional da Proteção Civil.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais, deflagrou na sexta-feira à tarde em Monchique, no distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.

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