Incêndio

Frente ativa em direção a Monchique sem acessos para meios de combate

Frente ativa em direção a Monchique sem acessos para meios de combate

O incêndio que deflagrou há 48 horas em Monchique conta com duas frentes preocupantes, uma delas em direção à vila algarvia e sem acesso para meios de combate.

O incêndio na serra de Monchique, distrito de Faro, estava, às 17 horas deste domingo, a ser combatido por 831 operacionais, 223 veículos e 12 meios aéreos, mantendo-se as duas frentes de fogo ativas. As chamas já obrigaram à evacuação de uma aldeia em Odemira e à retirada de pessoas de uma zona próxima da Portela do Vento, por "precaução", disse fonte da Proteção Civil.

"Neste momento temos duas frentes de fogo ativas", disse à Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS), acrescentando que o incêndio na localidade da Perna da Negra está a ser combatido por 720 operacionais e 193 veículos.

A GNR informou à Lusa que que a estrada nacional 266 continua fechada. "A estrada nacional 266 continua fechada, desde o quilómetro zero até ao 22", disse à Lusa fonte da GNR.

"Há uma frente virada a sul, em direção à vila de Monchique, que está sem acessos a meios de combate, quer aéreos, quer terrestres, e outra frente, mais a este, que acompanha a EN266 e que, na sua vertente mais a norte, pode evoluir no sentido de Nave Redonda", disse o Comandante Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, Vaz Pinto, durante um ponto de situação, feito um pouco depois das 13 horas.

Segundo José Alberto Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Odemira, o fogo "tem andado no limite entre o Algarve e o Alentejo" e queimou "cerca de 30 hectares" na serra de Algares, na Freguesia de S. Teotónio, em Odemira, contígua à serra de Monchique.

Como medida de prevenção, no sábado à noite foi evacuada a pequena aldeia de Moitinhas, tendo os cerca de 20 moradores passado a noite no centro sociocultural de Saboia, referiu o autarca.

"Hoje de manhã, o fogo estava a cerca e dois quilómetros da aldeia de Moitinhas", relatou José Alberto Guerreiro, indicando que se trata de uma "zona com bastante eucaliptal, mas pouco habitada e com melhores acessos" do que na zona de Monchique.

Sábado intenso obriga a retirada de pessoas

O Comandante Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, Vaz Pinto, fez, pouco depois das 20 horas, no sábado, um ponto de situação do incêndio e explicou que a retirada dessas pessoas foi apenas "feita por precaução" e cumprindo o objetivo estratégico de proteger primeiro vidas.

O incêndio continua a com "duas frentes ativas, uma delas totalmente dominada e em ações de consolidação de extinção e vigilância", e a "outra muito ativa, que lavra numa zona inacessível a meios terrestres" e onde "os meios aéreos são pouco eficazes", por se tratar de um "vale encaixado" em que as descargas de água não são totalmente eficazes, precisou.

Durante a tarde, as equipas de combate depararam-se com "instabilidades atmosféricas muito fortes, que originaram várias reativações em todo o perímetro do incêndio", mas "a maioria foi rapidamente extinta", disse ainda o comandante distrital.

Vaz Pinto frisou que na zona inacessível aos meios terrestres, "houve projeções a muita distância" e "o incêndio tomou ali comportamentos muito evolutivos" que dificultaram os trabalhos e obrigaram a retirar as pessoas.

As pessoas retiradas de casas no concelho de Monchique foram levadas a escola E.B 2.3. de Monchique, precisou o presidente da Câmara, frisando que há três casos de pessoas acamadas que foram para a Santa Casa da Misericórdia local.

Vaz Pinto garantiu que as equipas de socorro estão a "deslocar as pessoas muito antes de o incêndio chegar" perto das suas povoações e que a "prioridade é deslocar as pessoas preventivamente com muita antecedência".

Durante a tarde, o vento muito forte tornou "impossível debelar a situação", mas Vaz Pinto disse que o plano estratégico de combate está definido e adiantou que pode haver durante a noite "algumas janelas de oportunidade que estão a ser estudadas a analisadas em conjunto com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera" para decidir a melhor forma de atuação e poder ajudar a debelar o incêndio.

A chuva que se faz sentir em algumas zonas do Algarve não animou o Comandante Operacional, que lamentou: "Chove aqui, mas no local do incêndio não está a chover".

Vaz Pinto não disse não ter dados sobre a quantidade de área ardida, mas afirmou que é já "muito maior" do que os mil hectares que tinham sido reportados no ponto de situação do final da manhã.

O secretário de Estado da Proteção Civil, Artur Esteves, participou no ponto de situação depois de, durante a tarde, ter estado no terreno e disse que se deslocou à zona do incêndio para "acompanhar os técnicos" e manifestar o "apoio institucional" do Governo.

"Quero sublinhar a excelente articulação de todas as entidades no terreno, superiormente dirigidas pelo comandante Vaz Pinto, quero também destacar o trabalho da Câmara Municipal e do senhor presidente da Câmara", afirmou o governante.

Artur Neves destacou o trabalho das múltiplas entidades envolvidas na operação, considerou que a "coordenação é fundamental para que eventos complexos como este" e disse "confiar no trabalho dos técnicos que estão no terreno".

O governante alertou que houve hoje, pelo país, "várias ignições por trabalhos no campo, que estão totalmente proibidos" por causa dos alertas lançados pelas autoridades devido ao calor extremo que se faz sentir.

Os nove operacionais que ficaram feridos, na sexta-feira, devido a elevado esforço durante o combate ao fogo estão todos recuperados.

130 militares enviados para apoiar combate às chamas em Monchique

As forças armadas portuguesas mobilizaram para Monchique um total 130 militares, dez viaturas ligeiras e 18 viaturas médicas para apoiar o combate ao incêndio que deflagrou na sexta-feira.

Segundo um comunicado do Gabinete do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, do total de militares mobilizados na manhã de hoje 111 são do Exército e 19 da Marinha.