Polémica

Descontentamento com "muro da vergonha" em frente ao Mosteiro da Batalha

Descontentamento com "muro da vergonha" em frente ao Mosteiro da Batalha

A colocação de barreiras de betão junto ao Itinerário Complementar nº 2 (IC-2), para proteção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, está a gerar um movimento de contestação.

Há quem chame à obra de "mamarracho", "muro da vergonha" e até o novo "muro de Berlim". A autarquia reconhece que o impacto visual não é o melhor nesta fase dos trabalhos, mas assegura que o resultado final será menos "agressivo" e fundamental para proteger o monumento.

Na opinião de grande parte dos contestatários, entre eles o historiador José Travaços Santos, o mais indicado seria não terem colocado portagens na autoestrada 19 (A19), construída para retirar grande parte do trânsito que passa no IC2, em frente ao Mosteiro, e que acabou por se transformar numa das vias menos utilizadas da região de Leiria. "Não se justifica o pagamento de portagens num troço tão pequeno", considera o investigador.

Paulo Batista dos Santos, presidente da Câmara Municipal da Batalha, concorda que a abolição de portagens seria a solução ideal, sobretudo para os veículos pesados, e assegura que vai continuar a lutar por isso, junto do governo.

Enquanto tal não sucede, defende que a obra em curso é a melhor para salvaguardar o Mosteiro da Batalha dos impactos ambientais, do ruído e trepidação, provocados pelos cerca de 15 mil veículos que por ali passam diariamente.

E realça que o projeto, desenvolvido em parceria com a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), prevê o envolvimento dos painéis de betão por vegetação.

Orçada em 510 mil euros, a obra inclui a construção de uma ciclovia, entre a barreira acústica e o Mosteiro. Serão ainda melhoradas as instalações sanitárias nas imediações do monumento, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade, em 1983.

Mandado edificar pelo rei D. João I, em 1386, como agradecimento à virgem Maria pela vitória contra os espanhóis, em Aljubarrota, foi construído ao longo de dois séculos, tendo ficado concluído apenas em 1563.

Exemplo da arquitetura manuelina, está classificado como Monumento Nacional desde 1910. Nos últimos tempos, foram-lhe detetados sinais de desgaste e deterioração, devido à poluição originada pelo tráfego no IC-2.

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