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Vila Franca de Xira

Casal desesperado angaria fundos para não perder os quatro filhos

Casal desesperado angaria fundos para não perder os quatro filhos

Tem de sair de apartamento até ao fim do mês. Crianças podem ser institucionalizadas.

"Não me vão tirar de ti, pois não, mãe? É porque eu amo-te muito." Foi desta forma que a filha de 8 anos de Carina Soares, cuidadora informal de Castanheira do Ribatejo, Vila Franca de Xira, manifestou a sua preocupação à mãe, quando se apercebeu que corre o risco de ser separada dos pais, caso não consigam encontrar um apartamento para arrendar, até ao fim do mês.

Mãe de quatro crianças, com 13, 8, 4 e 2 anos, Carina já bateu a todas a portas para impedir que a família fique sem tecto, a partir do dia 31 de maio, e que lhe sejam retirados os filhos. Até ao momento, o único apoio que conseguiu foram 400 euros da Segurança Social, para ajudar a pagar a água, a luz e o gás. Um valor insuficiente para cobrir o aumento da renda de 400 para 680 euros mensais.

Perante a falta de respostas, Carina de 46 anos criou uma campanha de angariação de fundos, há seis dias, através do site gofundme, para juntar dinheiro para pagar o sinal, a caução e as rendas adiantadas exigidas.

"Infelizmente, devido à especulação imobiliária, as rendas encontram‐se em valores que estão muito além das nossas posses", justifica. "Dia 31 de maio, tenho de entregar a chave à senhoria. O crowdfunding [angariação de fundos] é a última solução, porque não aparecem casas com um valor que possamos pagar", confessa, desanimada.

"Se tiver de pagar uma renda de 750 euros vou ter de cortar na alimentação e nas terapias, para não ficar sem casa, nem perder os meus filhos", afirma.

Carina conta que têm ido ver apartamentos mais longe, na expectativa que as rendas sejam mais baratas, mas a procura supera a oferta. "Fomos ver uma casa em Samora Correia cuja renda era de 600 euros, mas estavam 60 pessoas em lista de espera, e uma delas disponibilizou-se a pagar um ano inteiro todo de uma vez", relata. A última casa que visitaram custa 700 euros por mês.

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Filhos com problemas

O marido está de baixa, devido a um acidente de trabalho, e a receber apenas 70% do salário, o que veio tornar a situação ainda mais complicada: o filho mais novo é deficiente e os dois do meio têm necessidades educativas específicas.

Até este domingo, tinham sido angariados 536 euros, em resultado de 24 dádivas. "Estamos dependentes da boa vontade das pessoas".

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