O Jogo ao Vivo

Petrogal

"Caída a máscara, é hora de reabrir a refinaria" em Matosinhos, dizem os trabalhadores

"Caída a máscara, é hora de reabrir a refinaria" em Matosinhos, dizem os trabalhadores

Os trabalhadores da Petrogal olham para o anúncio da transformação dos terrenos em Leça da Palmeira, Matosinhos, num "Innovation District" como uma demonstração da "imensa tragédia que continua a ser o encerramento" da refinaria "e da miséria de Governo que desgoverna o nosso país".

"Desvendada a peça que faltava no puzzle" do encerramento da Petrogal, a Comissão Central de Trabalhadores (CCT) observa que o protocolo celebrado na passada quarta-feira entre a Câmara de Matosinhos, a Galp e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Norte (CCDR-N) se destina a um "condomínio à beira-mar plantado com um 'green park' " e que a Transição Energética serviu "como um ecrã para ocultar as verdadeiras razões" que motivaram o fecho do complexo.

PUB

Os trabalhadores dizem ainda não ter conhecimento do documento assinado pela presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, Andy Brown, CEO da Galp, e António Cunha, presidente da CCDR-N. "Não passa de um processo de intenções recheado de lugares-comuns, isto é, continuando a explorar o filão da Transição Energética e de todos os termos associados ao progresso tipo 'innovation district' ", notam os trabalhadores.

"A Administração encerrou uma refinaria que produzia combustíveis que vão ser necessários nos próximos anos e continuam a ser o eixo principal do desenvolvimento económico, e produtos químicos e óleos-base que alimentavam muitas empresas na região e passaram a ser importados, da mesma forma que também foram importados milhares de toneladas de combustíveis porque a Refinaria de Sines, por si, não supre as necessidades do país", verifica a CCT.

Perante a intenção de "fazer um condomínio à beira-mar plantado com um 'green park', os trabalhadores realçam o convite feito à ex-secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann, "para coordenar o projeto de urbanização".

"A CCT nota a perfeita coordenação entre todas as entidades públicas e a Administração para destruírem empregos presentes - 5000 [diretos e indiretos] - tendo como contrapartida a criação hipotética de outros no futuro e aí não há limite para o delírio. Pelos vistos, ninguém se lembrou de perguntar sobre o atual parque logístico, isto é, em que parte do 'innovation district' vai ficar", criticam.

Andy Brown, CEO da Galp, disse na cerimónia de assinatura do protocolo que a empresa está a estudar uma forma de diminuir a pegada ecológica relacionada com a manutenção, por necessidade estratégica da região, do parque logístico.

"Terão estas entidades públicas esquecido a lição prometida pelo primeiro-ministro ou, pelo contrário, o Governo de António Costa com o ministro Matos Fernandes à cabeça está, como esteve, conivente com o grupo Amorim desde o princípio, em que o ministro assumiu ele próprio o encerramento da refinaria do Porto", reprovam os trabalhadores.

De acordo com a CCT, "ainda ninguém se referiu aos trabalhadores da refinaria, aqueles que foram empurrados para rescisões por mútuo acordo, os despedidos e os que estão a aguardar por nova colocação, em concreto, a necessidade impreterível de todos serem reintegrados na Empresa, assim o queiram".

De acordo com a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, parte da verba de 60 milhões de euros do Fundo para a Transição Justa que se destina à região, será para os trabalhadores. Andy Brown, CEO da Galp, disse, também, que "a trabalhar na refinaria mantêm-se 400 funcionários, mas despedir 120, no ano passado, "foi uma decisão difícil".

"Caráter vampiresco"

"A antevisão dos principais itens operacionais e do aumento dos dividendos já anunciados pela Administração confirmam que há um impacto significativo do encerramento da refinaria do Porto nos resultados da empresa, que a CCT estima em mais de cem milhões de euros (em 2022), compensados também com o aumento das margens de lucro dos combustíveis e releva de novo o caráter vampiresco dos acionistas perante os trabalhadores e toda a economia", afirma a CCT.

"Caída a máscara, é hora de reabrir a Refinaria e investir a sério na sua dinamização, bem como na Refinaria de Sines, sem nos cansarmos de alertar serem aqueles investimentos urgentes e inapeláveis para assegurar e prepará-las para a transição energética", apelam os trabalhadores.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG