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Shopping Dallas será demolido para sobreviver

Shopping Dallas será demolido para sobreviver

O centro comercial Dallas será demolido. O plano de pormenor, elaborado pela Câmara do Porto para legalizar o complexo, defende que o shopping na Boavista é viável, mas terá de ser mais pequeno.

A proposta sugere a demolição do interior do centro comercial e do cinema inacabado, eliminando pisos intercalares para que os tetos fiquem mais altos e cumpram a lei. O shopping, fechado desde 1999 por falta de segurança, terá uma redução de área superior a um terço (35%) e menos lojas. Hoje, o edifício está dividido em mais de 500 frações e outros tantos proprietários que continuam a pagar condomínio por estabelecimentos que não usam há 14 anos.

Isso terá de mudar. Para que seja viável, "é fundamental que o centro comercial tenha uma gestão única, o que obriga a que as frações atualmente existentes e cuja propriedade está dispersa sejam agrupadas numa única propriedade", pode ler-se no plano de pormenor, a que o JN teve acesso. No entanto, os técnicos municipais acreditam que a manutenção de um centro comercial é a melhor solução. Mais eficaz do que qualquer outra vocação.

"O conjunto comercial terá condições de ser alavancado pela existência de serviços e habitação no próprio conjunto imobiliário, mas também porque usufruirá da movimentação de pessoas gerada pelos equipamentos e pelos serviços envolventes", nomeadamente hotéis, escolas e o Estádio do Bessa.

Shopping para mais tarde

O complexo do Dallas, edificado ilegalmente nos anos 80, integra cinco edifícios com uma "taxa de ocupação reduzida". O shopping está vazio, assim como o único prédio de habitação por falta de licença de habitabilidade. Há famílias que compraram casas e continuam sem poder ocupá-las. Os restantes três imóveis são de escritórios.

Nunca foi possível uma legalização isolada dos edifícios por estarem unidos por uma cave comum. A par da demolição e reconstrução do Dallas, o plano prevê que sejam feitas alterações de menor monta nos outros edifícios e na via pública. Caberá aos privados realizar as obras no complexo e à Câmara beneficiar as ruas. Porém, não terá de ser feito tudo em simultâneo. O edifício de habitação e os três prédios de serviços podem iniciar o processo de legalização após a publicação do plano. A demolição e a reconstrução do shopping só será concretizada a médio prazo: "O atual clima económico faz prever um maior atraso na decisão de investir no centro comercial".

Ligação pedonal

O plano prevê a criação de uma ligação pedonal entre a Avenida da Boavista e o Largo do Engenheiro António de Almeida. E dá duas alternativas: um corredor pelo interior do shopping ou um caminho exterior ao lado do prédio de escritórios virado para a Boavista.

Largo requalificado

O Largo de Engenheiro António de Almeida é usado como parque de estacionamento. A Câmara quer condicionar, sem proibir, o acesso de carros ao largo, suprimindo o estacionamento e demolindo a rotunda no centro da praça.

Dar liberdade ao promotor

O projeto que permitirá ressuscitar o centro comercial Dallas terá de ser flexível para atrair investidores. O plano dá liberdade ao promotor para definir o projeto de arquitetura, o número de pisos e até pode decidir dar-lhe outro uso que não o de shopping.

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